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Invasão de venezuelanos em Roraima afeta orçamento estadual

Invasão de venezuelanos em Roraima afeta orçamento estadual
 
Venezuelanos também encontram refúgio na Colômbia. REUTERS/Carlos Eduardo Ramirez

O estado de Roraima, no norte do Brasil, está na mira do governo federal por causa da chegada de milhares de venezuelanos que buscam asilo, refúgio ou que apenas vão fazer compras de alimentos e remédios que não conseguem na Venezuela, país fronteiriço e que passa por uma profunda crise.

Elianah Jorge, correspondente da RFI em Caracas

Esta semana foi instalado em Roraima o Gabinete de Gestão Integrada de políticas públicas para atender os venezuelanos. “Nós montamos um centro de atendimento ao migrante em Pacaraima sábadopassado e verificamos que, em quatro dias, quase 400 venezuelanos entraram no país de forma regular. Ou seja, temos a entrada de quase 100 venezuelanos por dia”, explica o tenente coronel Doriedson Ribeiro, coordenador de planejamento do gabinete, por telefone. “A nossa preocupação é para onde esses venezuelanos estão indo, se eles vêm a Roraima para ficar, se vão a Boa Vista fazer compras ou se vão a outros locais do país.”

Na Venezuela, a escassez de alimentos e de produtos básicos é alta, sobretudo nas cidades do interior. Na área da saúde, a situação também é preocupante, o que vem gerando consequências para o orçamento de Roraima, segundo Doriedson. “Verificamos que a migração é intensa e constante. Estamos estudando os reflexos negativos que (essa situação) têm trazido para a população local, principalmente com relação à situação da saúde pública”, constata. “Aumentou muito o atendimento de venezuelanos nos hospitais e na maternidade de Roraima. Isso tem sido um custo muito grande ao estado de Roraima”, indica Ribeiro. Ele relata que o estado já pediu apoio do governo federal para enfrentar melhor a situação.

Aumento dos pedidos de refúgio

De acordo com a Polícia Federal em Roraima, os pedidos de refúgio feitos por venezuelanos aumentaram bruscamente: passaram de nove pedidos, em 2014, para 959 pedidos neste ano.

Essa movimentação está mudando a rotina da capital, Boa Vista, e de Pacaraima, cidadezinha de poucos recursos e a primeira na qual os estrangeiros chegam.

“Eles vêm exercendo atividade com malabares, todas as formas artísticas nos semáforos, vendendo pequenas coisas no comércio e a grande maioria, infelizmente, têm pedido esmola. Isso acontece principalmente em Pacaraima, o que mostra uma situação de pobreza desses estrangeiros que não têm nem onde ficar e estão nas ruas”, diz o delegado federal Alan Alexandrino Ramos, que trabalha em Roraima. “Eles vivem de doações, mas muitos deles vivem de doações e da mendicância.”

Em busca de comida

De acordo com o professor universitário e jornalista Timóteo Carneiro, morador de Boa Vista, o perfil dos venezuelanos que se mudaram para o Brasil varia - porém é inegável que estão fugindo da forte crise. “Tem desde a questão da instabilidade de investimentos na Venezuela, no caso dos empresários que têm restaurantes ou que abriram lanchonetes para vender comida venezuelana, até as pessoas que estão aqui por causa da fome. Conheci um rapaz que que disse que ele prefere passar dificuldade nas ruas aqui, mas ter condições de comprar comida”, diz Carneiro.

Por causa da delicada situação do país vizinho, cada vez mais venezuelanos se espalham pelo mundo em busca de melhores oportunidades. O Brasil, pela proximidade, é um dos destinos preferidos.
 


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