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Mulheres fazem greve inédita na Argentina contra violência sexual

Mulheres fazem greve inédita na Argentina contra violência sexual
 
As mulheres vão marchar até a Casa Rosada, sede do governo argentino, em Buenos Aires, para condenar a violência sexual e exigir igualdade de direitos. Eurico Zimbres/Wikipedia

As argentinas fazem nesta quarta-feira (19) a primeira greve de mulheres da América Latina. Elas vão cruzar os braços durante uma hora em protesto contra a violência sexual e defender a igualdade de direitos com os homens. Vestidas de preto, milhares de manifestantes vão marchar em Buenos Aires até a Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede do governo. Atos estão previstos nas principais cidades do país.

Correspondente em Buenos Aires

De forma inédita na Argentina, das 13h às 14h, pelo horário local, as mulheres vão parar de trabalhar e manifestar indignação na porta de casa, no trabalho, nas fábricas, nas cooperativas ou nas ruas. Vale buzinar, bater panela ou pendurar faixas. Mais tarde, às 17h, vestidas de preto, elas vão ocupar as principais praças do país.

A manifestação é organizada pelo grupo Ni Una Menos ou, em português, Nem Uma a Menos. É um grupo nascido no ano passado, quando organizou o primeiro protesto com 300 mil pessoas. Em 3 de junho último, houve uma nova manifestação com o mesmo sucesso. Desta vez, mais de 50 organizações sociais aderiram à convocação.

Estupro monstruoso de adolescente chocou os argentinos

A greve das mulheres ganhou força com o assassinato da adolescente Lucía Pérez, de 16 anos, que completou uma semana no último sábado. Ela foi drogada, estuprada, torturada e empalada até morrer na cidade de Mar del Plata, a 400 km de Buenos Aires. O crime teve requintes de crueldade que provocaram comoção na Argentina. A promotora do caso chegou a dizer que já tinha visto mil crimes, mas nunca nada tão monstruoso.

Coincidentemente, enquanto Lucía Pérez era assassinada, 70 mil mulheres manifestavam-se em defesa da igualdade de gênero na cidade de Rosario, a terceira maior do país.

Greve abre novas perspectivas de luta por igualdade de direitos

A iniciativa de uma greve feminina deve inaugurar uma nova fase de protestos por igualdade na Argentina. O objetivo é tornar visível a contribuição das mulheres na economia produtiva e evidenciar as desigualdades em matéria de desenvolvimento profissional.

Na Argentina, a diferença salarial entre trabalhadores homens e mulheres está entre 30% e 40% nos trabalhos informais. Estudos mostram que 76% dos trabalhos domésticos não remunerados são feitos pelas mulheres. O desemprego afeta 9,3% da população ativa, mas entre as mulheres sobe para 10,5%.

Por essas reivindicações de igualdade no mercado de trabalho, a manifestação tem o apoio de centrais sindicais. O objetivo é conscientizar quanto à necessidade de uma mudança cultural na Argentina.

Polônia e Islândia inspiraram movimento

A greve de mulheres toma como exemplo a Black Monday, como foi chamada a greve de mulheres realizada na Polônia, no começo do mês, contra o projeto de lei que proíbe totalmente o aborto no país. Como fizeram as polonesas, as argentinas decidiram se vestir de preto. Outra inspiração é na paralisação de mulheres na Islândia, por igualdade de gênero, em 1975.

Segundo o Ministério da Segurança da Argentina, entre 2008 e 2015, as agressões contra as mulheres aumentaram 78%. A cada 30 horas, uma mulher é morta por violência de gênero, o chamado feminicídio. A maioria é vítima de cônjuges ou de ex-cônjuges. O pior é que 20% delas chegaram a denunciar o seu agressor antes de serem assassinadas.

No ano passado, apenas 3% dos processos por mortes tinham sido julgados. Por isso, a manifestação de hoje termina em frente à Casa Rosada para pedir políticas públicas por igualdade. O pedido é também por justiça ao Poder Judiciário.

Segundo o Observatório da Igualdade de Gênero da América Latina, no ano passado, houve 2.500 feminicídios em toda a região. Foram 800 mortes a mais do que no ano anterior.


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