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Temer tenta legitimar governo em visita à Argentina e ao Paraguai

Temer tenta legitimar governo em visita à Argentina e ao Paraguai
 
Presidente da Argentina, Mauricio Macri, com o presidente Michel Temer durante um almoço na Assembleia Geral das Nações Unidas.20/09/16 REUTERS/Lucas Jackson

O presidente Michel Temer chega nesta segunda-feira (3) à Argentina para sua primeira  visita bilateral -mas não de Estado. Temer começará o giro pela Argentina e terminará o dia no Paraguai, os dois primeiros países a reconhecer o governo Temer como legítimo.

 

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

O presidente brasileiro também será alvo de protestos na Argentina durante as quatro horas em que estiver no país. Ele chega por volta das 11h30 no horário local e viaja com quatro ministros para participar de uma reunião bilateral, aproveitando que Brasil e Argentina vivem uma sintonia em visão política e econômica. No encontro, Temer também discutirá a revitalização do Mercosul e a situação interna na Venezuela. Brasil, Argentina e Paraguai estão unidos contra o regime de Nicolás Maduro.

Argentina e Paraguai, nessa ordem, são hoje os dois países que mais apoiam o governo de Michel Temer na região. A Argentina demorou alguns minutos apenas para reconhecer Temer como presidente, assim que ele tomou posse. Temer vem também atrás desse reconhecimento internacional.

Para a Argentina quanto mais rápido a crise política no Brasil acabar, melhor. Um Brasil em crescimento é fundamental para a Argentina crescer também. A reunião busca sair da retórica sobre a "aliança estratégica" com a Argentina para ações concretas.

O objetivo é eliminar barreiras ao comércio que ainda persistem e revitalizar o paralisado Mercosul. Também vão tratar de assuntos na região de fronteira.Os dois presidentes terão um reunião inicial à qual, logo depois, juntam-se os ministros das Relações Exteriores, da Indústria e Comércio, da Justiça e da Defesa dos dois países.

No Paraguai, reunião será sobre segurança e infraestrutura

No Paraguai, a agenda é semelhante. Michel Temer e Horacio Cartes vão tratar de questões comerciais e de fronteira como segurança e infraestrutura. A ideia é revitalizar o Mercosul internamente e a partir de negociações com outros países e blocos, principalmente com a União Europeia .Temer deve chegar ao Paraguai por volta 15h30 no horário local.

Tanto em Buenos Aires quanto em Assunção, a relação com a Venezuela estará no centro da cena.  Brasil, Argentina e Paraguai também vão pressionar o governo de Nicolás Maduro a realizar o referendo revogatório ainda neste ano.

Para esses países, a Venezuela viola os Direitos Humanos, especialmente no que se refere a presos políticos. O Mercosul deu prazo até dia 1 de dezembro para a Venezuela adotar as normas do bloco. Se não o fizer, vai deixar de pertencer ao Mercosul. O presidente Mauricio Macri considera que o Mercosul estaria muito melhor sem a atual Venezuela.O objetivo é pressionar Maduro a resolver a crise política.

Temer será alvo de protestos

Antes mesmo de Michel Temer chegar à Argentina e até depois de ele deixar o país, haverá manifestações de repúdio ao presidente brasileiro. O lema é "Fora Temer" que já foi até adotado em espanhol "Fuera Temer". O governo argentino procurou ao máximo minimizar o impacto dos protestos. A visita de Temer será oficial, mas não uma visita de Estado. Se fosse de Estado, o presidente Temer teria de visitar o Congresso argentino, onde parlamentares o acusariam aos gritos de "golpista".

Na semana passada, vários parlamentares da oposição ao governo Macri exibiram cartazes com o "Fuera Temer". Outra modificação nas últimas horas foi o local da reunião entre Macri e Temer. Inicialmente, estava previsto que fosse na Casa Rosada, onde Macri recebe todos os chefes de Estado e de Governo estrangeiros.

Já estava marcado um protesto contra Temer em frente à Casa Rosada, na Praça de Maio. Na sexta-feira, o governo argentino decidiu que a reunião com Temer será na residência presidencial de Olivos, na região metropolitana de Buenos Aires, a 17 Km da Praça de Maio.

Em volta da residência, não há muito espaço para uma grande concentração de manifestantes e os presidentes ficam bem isolados. A comitiva pode ainda driblar mais fácil o protesto. A manifestações agora vão acontecer tanto ao redor da residência quanto na Praça de Maio. Além de grupos de brasileiros contra Temer, o protesto vai contar com grupos políticos opositores, sindicatos e legisladores.


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