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Américas

Obama inaugura museu da história afro-americana

media Barack Obama durante cerimônia de inauguração diante do Museu nacional da história afro-americana REUTERS/Joshua Roberts

O Museu nacional da história afro-americana abre suas portas ao público neste sábado (24) em Washington. O projeto, que levou 13 anos para ser concluído, é um dos eventos que marcam o fim do mandato de Barack Obama, primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Mas a inauguração também acontece em um momento de tensões raciais latentes no país.

Com informações de Anne-Marie Capomaccio, correspondente da RFI em Washington

O prédio revestido em bronze, de 37.000 m², foi inaugurado pelo presidente diante de milhares de pessoas. "Além da suntuosidade do edifício, o que torna esta ocasião tão especial é a rica história que ele abriga", disse Obama durante a cerimônia, da qual participaram personalidades como o cantor Stevie Wonder e a apresentadora de TV Oprah Winfrey. "A história afro-americana não está separada da nossa grande história americana. Não é a parte inferior da história americana. É parte central da história americana", expressou.

O museu, que propõe um percurso cronológico, apresenta aos visitantes a saga dos afro-americanos desde a chegada dos escravos no país. “É um sentimento indescritível de tristeza, alegria, jubilação e triunfo”, comenta Dona Owens, jornalista especializada no tema, convidada para a inauguração. “Somos sobreviventes”, completou, ao passar pelo subsolo sombrio onde a escravidão é contada.

Os idealizadores tinham uma ideia precisa ao imaginar o projeto. “O trabalho dos escravos não era apenas nas fazendas e nos jardins. Os escravos construíram canais, pontes, foram marceneiros, engenheiros, ferreiros. Nós queríamos homenagear esses talentos, falar do fato que os escravos fizeram mais do que colher algodão. Eles também participaram da construção deste país”, explica o arquiteto David Adjaye, da Tanzânia, que concebeu a instituição.

Trompete de Louis Amstrong e peignoir Mohammed Ali

Por essa razão, nos andares superiores, objetos ilustram o sucesso dos afro-americanos no esporte, indústria, música e cinema. Algumas peças, como o trompete de Louis Amstrong ou o peignoir Mohammed Ali, fazem parte do percurso. “Apesar das atrocidades, nosso povo se perpetuou. Nossos ancestrais sobreviveram e prosperaram”, comenta Donna Owens.

Para os organizadores, o objetivo da instituição é criar debate sobre o processo de integração dos afro-americanos. “É preciso se questionar sobre a história da América. Quem são os bonzinhos e quem são os malvados? As coisas não são tão simples. As pessoas sairão desse museu fazendo essas perguntas e esse é o ponto mais importante”, teoriza Kinshasa Holman Conwill, diretora-ajunta do museu.

Quando foi lançado, há 13 anos, o projeto do museu não contava com nenhum acervo próprio. Os arquivos foram constituídos aos poucos, graças a cerca de 100 mil doadores. Durante esse processo, vários tesouros históricos foram descobertos. Há desde os estrados sobre os quais os escravos eram vendidos, até cartas, documentos oficiais e objetos pessoais de personagens importantes para a conquista dos direitos civis dos negros no país.

“Esses objetos são importantes, pois eles humanizam a história. Se olhamos a escravidão pensando em uma mãe separada de seu filho, e não em uma mãe negra separada de seu filho negro, todos podem sentir uma empatia”, comenta a historiadora Marie Elliott.

Tensões raciais persistem

A inauguração acontece em um momento delicado nos Estados Unidos, já que coincide com o aumento de tensões raciais nos Estados Unidos. O mais recente exemplo foi a morte, esta semana, de um motorista negro abatido pela polícia em Charlotte, na Carolina do Norte, que se soma a série de episódios de violência criticados por seu viés racial.

Na sexta-feira (23), a mulher da vítima divulgou um vídeo no qual mostra o momento do homicídio. Durante toda filmagem, ela avisa os policiais que seu marido não estava armado, apesar da polícia alegar o contrário para justificar a morte.

Várias manifestações populares vem sendo organizadas na cidade, onde as autoridades chegaram a decretar um toque de recolher.

Obama disse que o museu "talvez possa ajudar um visitante branco a compreender o sofrimento e a indignação dos manifestantes em lugares como Ferguson e Charlotte".
 

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