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O 11 de setembro ressuscitou o velho sentido trágico da História

O 11 de setembro ressuscitou o velho sentido trágico da História
 
Atentado ao World Trade Center completou 15 anos neste domingo. REUTERS/Mark Kauzlarich

Há 15 anos atrás, o atentado do dia 11 de setembro abriu uma era de angústia. Na Europa, os líderes e as populações haviam quase esquecido que a paz é uma exceção, enquanto a guerra e a violência sempre pariram a história do Velho Continente. É que, como diz o filósofo francês Michel Serre: nos últimos 60 anos, “a Europa nunca conheceu tamanha paz desde a guerra de Tróia”.

 

Depois da Segunda Guerra mundial (e seus 60 milhões de mortos), a prosperidade econômica, a estabilidade das instituições, os avanços sociais e a ausência de grandes conflitos, fizeram da Europa ocidental um paraíso comparado com o resto do mundo. Apesar da Guerra Fria e das últimas guerras coloniais. Pouco a pouco – e ainda por cima com a integração europeia, o fim das fronteiras internas e a queda do Muro de Berlim – as populações começaram a achar que as guerras no Velho Continente eram coisa do passado. Vivendo no melhor lugar do mundo, o futuro era luminoso.

De repente, a tragédia – aquela de verdadeiras dimensões históricas – irrompeu. A maior potência mundial, os Estados Unidos – que havia garantido a segurança e a prosperidade econômica europeia durante mais de meio século – enraiveceu. Atacada no coração, ela reagiu com violência cega.

As intervenções no Afeganistão e no Iraque destruíram os falsos e frágeis equilíbrios geopolíticos do Oriente Médio e abriram o caminho para as “primaveras árabes” e suas desilusões. A Europa, sem ter escolha, ficou na primeira linha de frente diante da implosão do mundo muçulmano. O terrorismo islâmico, cujos alvos principais ainda são os regimes tradicionais árabes, também se virou contra os europeus aliciando a simpatia e até a participação ativa de alguns jovens revoltados das minorias de origem muçulmana presentes no Velho Continente.

Os atentados na França, na Bélgica ou na Espanha, e os massacres no Oriente Médio que criaram um tsunami de refugiados batendo nas portas da Europa, criaram um clima de guerra de religião e uma angústia generalizada. Os europeus descobriram que seus governos não estavam preparados para enfrentar esses desafios. Não há outro jeito senão conviver – e por muito tempo ainda – com o terror e a ameaça da violência.

Coreia do Norte e Síria trouxeram de volta o perigo dos grandes conflitos generalizados

Pior ainda: os Estados Unidos atolados no Afeganistão e no Iraque, e a fraqueza dos governos europeus, deram asas aos autocratas de outras regiões do mundo. Regimes que não querem saber nem de democracia, nem de liberdades, e que proclamam abertamente que a força e os nacionalismos agressivos valem muito mais do que as regras do jogo internacional que garantiram um mínimo de estabilidade nas últimas décadas.

A invasão da Criméia e do Leste da Ucrânia pela Rússia de Putin, as provocações chinesas no mar da China meridional, a bomba atômica da Coréia do Norte ou o imbróglio sangrento na Síria, trouxeram de volta o perigo e a angústia de grandes conflitos generalizados. E tudo isso no meio de uma revolução histórica nas maneiras de produzir, trabalhar e se comunicar. O estresse social e político das populações europeias não para de aumentar. A ideia do paraíso sempre foi exagerada e, hoje, a percepção de uma caída no inferno também é. A mudança é rápida demais e as populações estão desorientadas.

O resultado é o de sempre: o crescimento de movimentos autoritários, chauvinistas e racistas que querem se fechar dentro das fronteiras nacionais, e o perigo da fragmentação, não só da integração europeia mas até de vários Estados europeus.

O paradoxo é que a Europa continua sendo uma das regiões mais agradáveis para viver. Os refugiados que fogem da violência querem todos morar no Velho Continente. E é verdade que as pessoas tem mais chances de morrer num acidente de trânsito do que num atentado. Só que uma parte dos europeus perdeu a confiança no futuro. O 11 de setembro ressuscitou o velho sentido trágico da História. E todo mundo está envolvido, queira ou não.

Alfredo Valladão, professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, faz uma crônica de politica internacional às segundas-feiras para a RFI Brasil
 


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