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Américas

Entenda revolta dos chilenos contra sistema de aposentadoria

media Milhares de chilenos se mobilizaram neste domingo contra o sistema de aposentadorias. REUTERS/Rodrigo Garrido

 Mais de um milhão e meio de chilenos saíram às ruas do país no domingo (21) para protestar contra o sistema de aposentadoria, que data da época do regime de Augusto Pinochet. Gerenciado pelas Administradoras de Fundos de Pensão (AFP), o esquema gera benefícios exorbitantes a empresas privadas e repassa aposentadorias miseráveis aos chilenos.

Com colaboração de Claire Martin, correspondente da RFI em Santiago

A revolta da população tomou as ruas da capital chilena e das principais cidades do país. Os chilenos reclamam de um sistema de aposentadorias que é único no mundo, vigora desde 1981 e enriquece os cofres de seis instituições privadas, castigando os aposentados.

As chamadas AFPs gerenciam as aposentadorias de 10 milhões de chilenos. Todos os meses, elas recebem 10% dos salários de cada contribuinte, ao qual adicionam 1,15% de comissão de administração. O retorno aos aposentados, no entanto, é muito baixo e está muito longe da promessa de retribuir 70% do último salário do trabalhador.

Cansada do sistema, a população reclama que empobrece à medida que envelhece, enquanto as AFPs lucram cada vez mais. "Nos últimos vinte anos, elas apresentaram um rendimento de 26,3%", explica Benjamin Saez, pesquisador da Fundação Sol, que se dedica às questões do trabalho, sindicalismo e educação.

Segundo Saez, o valor arrecadado pelas empresas equivale a mais de R$ 7,2 milhões por dia, mas apenas 40% do valor do dinheiro recebido do contribuinte é repassado aos aposentados. Além disso, ressalta, apenas em 2015, 45 membros da direção das AFPs receberam a remuneração média anual de R$ 305 mil, contra cerca de R$ 15 mil que os chilenos recebem, em média, por ano.

Sustentar o modelo econômico do país

De acordo com o economista Manuel Riesco, do centro de pesquisas econômicas Cenda, o sistema de aposentadorias do Chile foi criado para "sustentar o modelo econômico do país". "Quase 60% das contribuições vai para o bolso das AFPs e o restante cai diretamente na conta de grandes grupos financeiros do país, sob forma de investimento a juros baixos", enfatiza.

Além disso, salienta, os chilenos não acreditam mais em seus governantes para reformar o sistema, já que os escândalos de corrupção da classe política do país não param de vir à tona. As mudanças propostas pela impopular presidente Michelle Bachelet, há duas semanas, também não convencem a população.

Mobilização "está apenas no começo", diz aposentado

O aposentado Augustino Zapata, de 77 anos, conta que, desde que parou de trabalhar como carpinteiro, vive com o equivalente a R$ 580 reais por mês. "Em três meses, as AFPs vão cancelar minha aposentadoria porque alegam que me repassaram tudo o que deveriam, depois de eu ter contribuído durante 30 anos", declarou.

A mulher de Zapata, Berta Machuca, de 72 anos, é obrigada a mendigar alimentos em mercados para que o casal tenha o que comer. "Depois de ter cotizado durante 35 anos, recebo [o equivalente a ] R$ 435 por mês", revela.

"A única maneira de colocar um fim a esses abusos é sair às ruas. Esta mobilização está apenas no começo", diz Zapata.

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