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Américas

EUA fazem a maior transferência de prisioneiros de Guantánamo

media EUA: 15 presos de Guantánamo foram transferidos para Emirados Árabes Unidos nesta segunda-feira, 15 de agosto de 2016. REUTERS/Lucas Jackson

O governo americano transferiu na noite de segunda-feira (15) quinze prisioneiros de Guantánamo para os Emirados Árabes Unidos. Essa é a maior transferência de detentos da prisão da base militar dos Estados Unidos em Cuba já realizada no governo Obama. Mas o presidente americano não deve conseguir cumprir sua promessa de fechar Guantánamo antes de deixar a Casa Branca.

Em comunicado publicado pelo Pentágono, Washington agradeceu ao governo dos Emirados Árabes Unidos "pelo gesto humanitário e apoio aos esforços em curso para fechar o centro de detenção de Guantánamo. Entre os 15 detentos transferidos, doze são iemenitas e três afegãos.

Os Estados Unidos enfrentavam dificuldades para encontrar quem aceitasse os iemenitas. Eles não podem ser enviados de volta para Iêmen, devido a guerra civil que atravessa o país desde 2015. Depois de serem transferidos, em geral, os ex-detentos da polêmica prisão de Guantánamo são soltos sob condições, como monitoramento e programas de reinserção, que variam segundo os países que os recebem.

Obama não conseguirá cumprir promessa de fechar Guantánamo

O anúncio da transferência foi saudado pela Anistia Internacional. Para a ONG, o gesto é uma rejeição à ideia de que "Guantánamo não pode parar de funcionar". Os traslados de detentos se aceleraram nos últimos anos, em função da aspiração do presidente americano de cumprir sua promessa de campanha de fechar a prisão que ele já classificou como "vergonhosa".

No entanto, é muito pouco provável que Barack Obama atinja seu objetivo antes de deixar a Casa Branca, em janeiro de 2017. Ainda restam 61 prisioneiros, dos quais 50 considerados não liberáveis, no polêmico presídio americano na ilha de Cuba.

Oposição americana é contrária

A administração americana encontra dificuldades para instalar em prisões nos Estados Unidos os cerca de 50 detentos que não podem ser liberados. A maioria republicana no Congresso rejeita qualquer iniciativa desse tipo. Além disso, os prisioneiros também não podem ser julgados por um tribunal tradicional do país, já que muitos foram torturados e/ou presos em circunstâncias não permitidas pelas leis americanas.

Ao todo Guantánamo recebeu 780 detentos, desde sua criação pouco depois da invasão americana ao Afeganistão em outubro de 2001. Dick Cheney, vice-presidente do então presidente George W. Bush, havia afirmado que para lá deveriam ser levados "os piores dos piores terroristas". Mas ficou provado que a maioria dos detidos era apenas militante de segundo nível, ou mesmo pessoas sem vínculos com grupos extremistas que foram presas por engano.

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