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Populismo latino-americano está em declínio

Populismo latino-americano está em declínio O presidente da Bolívia, Evo Morales, discursa na ONU REUTERS/Mike Segar

O populismo dito “de esquerda” na América Latina, não anda bem das pernas. A declaração dos dirigentes “bolivarianos” denunciando um “golpe” no Brasil é só a última manifestação do medo destes regimes de serem apeados do poder.

Cuba, ícone da esquerda, foi obrigada a se reconciliar com os Estados Unidos e a tentar encontrar uma alternativa ao socialismo tropical. O boliviano Evo Morales não vai poder se candidatar a um novo mandato presidencial. O equatoriano Rafael Correa também decidiu tirar o corpo fora. Na Nicarágua a esquerda só se sustenta com uma aliança com a direita mais corrupta do país.

A Venezuela simplesmente se desmanchou: falta dos produtos mais básicos, filas intermináveis, hiperinflação, a moeda que virou pó e uma explosão da violência. A indústria do petróleo afundou na corrupção e na gestão incompetente. O presidente Maduro e seus amigos da “boli-burguesia”, estão ameaçados de serem destituídos por referendo revogatório lançado pela oposição amplamente majoritária no Parlamento. O pânico de Maduro explodiu com a queda de Dilma Roussef. A resposta rápida e ríspida do novo Itamaraty às denúncias bolivarianas mostrou claramente que esse populismo latino-americano não terá mais a simpatia ideológica do Brasil, maior potência regional.

Mas o desaparecimento anunciado dos regimes populistas de esquerda, não significa a vitória dos populismos de direita. Cansadas de sofrer a incúria e corrupção de governos que se proclamam únicos representantes legítimos do povo, as opiniões públicas não estão a fim de passar um cheque em branco aos que vêm depois. Mais urbanizada, conectada e informada, a cidadania quer ver resultados e se possível rápidos.

Há pouca paciência para agüentar uma volta ao passado, à politicagem incompetente e aos velhos caciques “fisiológicos” tão corruptos quanto os políticos enxotados da esquerda. As reações negativas ao governo de “homens brancos” montado por Michel Temer são a prova cabal de que as alternativas à esquerda populista não vão se beneficiar de qualquer “estado de graça”. Os novos donos do poder não terão direito de errar e não vão escapar de uma faxina séria nos próprios podres.

Instrumentos de mobilização fragiliza fortalece população

Só que, na América Latina, uns e outros, no governo e na oposição, estão confrontados com um desafio: a economia, a cultura, a sociedade, as relações entre os cidadãos e seus representantes, e os próprios instrumentos de comunicação e mobilização, estão se transformando de maneira incrivelmente rápida. Falar de esquerda e de direita, nos termos confortáveis do passado, não faz mais sentido. Se quiserem ser bem sucedidos, os governantes não têm alternativa senão explicar a dura realidade.

No mundo globalizado, vivendo a maior revolução industrial e de serviços desde o começo do século XX, qual o futuro de economias, inteiramente dependentes da produção e exportação de poucas matérias primas? Como sobreviver sem capacidades educacionais, administrativas e até culturais de participar da nova economia digital, a maior fonte de riqueza e desenvolvimento do mundo contemporâneo? Nesse planeta interconectado, nenhum mercado interno é suficiente para garantir a sobrevivências das empresas locais – e portanto os salários e postos de trabalho.

Economias latinas devem se integrar a cadeias produtivas transnacionais

Se as economias da região não se abrirem à competição internacional e não se integrarem às grandes cadeias produtivas transnacionais, não haverá mais riqueza suficiente para manter as políticas sociais, a luta contra a pobreza, os serviços públicos indispensáveis... Tudo isso tem que ser explicado sem rodeios. A cidadania está alerta demais para continuar engolindo contos da carochinha. Também é fundamental apresentar programas concretos, viáveis, adaptados aos desafios de hoje e à maneira de ser das novas gerações mobilizadas pelas redes sociais.

Programas que terão que representar uma verdadeira revolução cultural e social na maneira de encarar a política e a ação do Estado. Mas será que as velhas lideranças de sempre, de esquerda e de direita, serão capazes de se conectar à juventude e aos desafios do mundo novo? Se a resposta é negativa, a região está condenada a sair da história – e por um sem número de décadas perdidas.

Alfredo Valladão, do Instituto de Estudos Políticos de Paris, faz uma crônica semanal às segundas-feiras para a RFI
 


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