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Américas

Trump e Sanders vencem primárias em Indiana

media Donald Trump fala com seus correligionários em Indiana (Foto: Reuters.

O magnata Donald Trump obteve sua sétima vitória seguida e Bernie Sanders ganhou em Indiana, mas não altera a disputa entre os democratas e o favoritismo de Hillary Clinton.

Raquel Krahenbühl, correspondente da RFI em Washington

O magnata Donald Trump já havia dito que se vencesse em Indiana, a disputa chegava ao fim. Ele estava certo. Depois de assegurar a sétima grande vitória seguida, o principal adversário dele, o senador ultra conservador pelo Texas, Ted Cruz, decidiu abandonar a disputa. “Com o coração pesado, mas o otimismo sem limites para o futuro da nação, estamos suspendendo a campanha", disse.

Mesmo sem endossar o bilionário, Cruz acabou praticamente entregando a nomeação republicana a Trump. Para ser oficial, o bilionário precisa de menos de 200 delegados e essa marca pode ser atingida até o começo de junho.

A esperança do partido Republicano era impedir que Trump conseguisse a maioria dos delegados (1237) para que a corrida fosse disputada na convenção nacional do partido em Julho, onde os delegados (representantes do partido que se comprometem a eleger na convenção o candidato que vence nos estados) ficam livres para votar em quem quiserem, independente da escolha dos eleitores.

Com essa esperança, o governador de Ohio, John Kasich, o mais moderado entre os pré-candidatos do partido, prometeu não desistir da corrida. Mas até o presidente do partido Republicano, Reince Priebus, admitiu que Trump será o candidato e falou que é hora do partido se unir e focar em derrotar a provável candidata democrata Hillary Clinton.

No discurso de vitória, Trump, com um tom mais humilde como vem adotando nas últimas semanas, prometeu ir atrás de Hillary. Ele disse que a democrata não vai ser uma boa presidente, entre outros motivos, porque não entende de comércio. Tanto Trump, quanto o pré-candidato democrata Bernie Sanders, vem defendendo uma politica econômica protecionista e atraindo o apoio das classes trabalhadoras.

Corrida democrata não fica alterada com vitória de Sanders

O senador por Vermont, Bernie Sanders, venceu em Indiana com 53%dos votos, mas a vitória apertada não muda o cenário da disputa democrata. A candidatura de Hillary está praticamente certa. Para ser oficial, ela precisa de apenas cerca de 160 delegados e pode conseguir já nesse mês.

Sanders não tem chances de conseguir a maioria dos delegados, mas também não pretende desistir. Ele espera levar a disputa para a convenção nacional do partido em Julho, insistindo que a corrida pode ser contestada já que é praticamente impossível que Hillary consiga a maioria dos delegados distribuídos em cada estado sem a ajuda dos superdelegados – que são as autoridades do partido.

O senador independente não conseguiu decolar entre essas elites democratas, que tantou criticou. Por enquanto, ele conseguiu apenas 39 superdelegados, enquanto Hillary, 520. Sanders também não conseguiu atrair as minorias, que são eleitores cada vez mais importantes nos EUA. Mas mesmo sem chances de ganhar, o senador tem dinheiro para continuar a campanha e pretende pelo menos continuar disseminando a agenda progressista dele - que tem dado outro tom à campanha democrata e até levado Hillary mais para a esquerda.

Já segura da candidatura, Hillary nem sequer passou a terça-feira em Indiana. Ela investiu esforços em Ohio, que já realizou primárias, mas que é um importante "swing state" nas eleições gerais. Hillary já se posiciona como a candidata democrata e direciona as críticas a Trump, prometendo unir os democratas para ganhar a eleição em novembro.

Aposta é que Hillary Clinton venças as presidenciais

A disputa entre Hillary e Trump à Casa Branca é cada vez mais inevitável. Nas pesquisas, a ex-secretária de Estado aparece cerca de 6,5 pontos percenturais à frente do magnata. Nas bolsas de apostas, a democrata tem cerca de 72% de chances de ganhar a presidência e o republicano 26,5%. Até agora, Hillary teve cerca de 2 milhões de votos a mais do que Trump.
 

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