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Oposição na Venezuela reúne assinaturas para referendo contra Maduro

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Oposição na Venezuela reúne assinaturas para referendo contra Maduro
 
O presidente Nicolás Maduro também está ameaçado de destituição REUTERS/Miraflores Palace

A manobra que visa tirar o presidente Nicolás Maduro do poder, na Venezuela, avança em ritmo acelerado. Em tempo recorde, a oposição venezuelana coletou um número de assinaturas bastante superior ao determinado pela autoridade eleitoral do país para convocar um referendo sobre a destituição de Maduro.

 

Elianah Jorge, correspondente da RFI em Caracas

Na manhã desta segunda-feira, o secretário geral da MUD (Mesa da Unidade Democrática), Jesús Torrealba, levou a um dos edifícios do Conselho Nacional Eleitoral 200 mil planilhas contendo 1.850.000 de assinaturas verificadas de cidadãos que apoiam o processo do referendo revogatório do presidente. O número total de assinaturas recolhidas chegou a 2.500.000, segundo o opositor Enrique Capriles, quantia bem superior ao 1% exigido pelo poder eleitoral, obtido em menos de uma semana.

Os opositores decidiram entregar o material sem alarde para evitar confusão, explicou Torrealba. Na semana passada, a coleta de assinaturas mobilizou a Venezuela, cujos habitantes estão cada vez mais insatisfeitos com a gestão de Maduro.

Prazo para recebimento das planilhas é de 30 dias

A presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena, fixou em 30 dias o prazo para receber as planilhas. No entanto, a estratégia da oposição de entregar as assinaturas antes desse prazo não encontrou entraves. Há expectativa de que hoje Tibisay Lucena se manifeste sobre este processo no qual um relevante número de venezuelanos vem colocando suas expectativas. Vale lembrar que na eleição parlamentar de dezembro passado o governo bolivariano sofreu uma grande derrota ao perder a maioria das cadeiras do parlamento para a oposição após 17 anos no poder.

Jorge Rodríguez, prefeito do município Libertador, foi à sede do Poder Eleitoral apresentar uma comissão para participar do processo de verificação das assinaturas, além de, segundo ele, "proteger a Constituição" e introduzir um aparato constitucional. Já Diosdado Cabello, o número dois do chavismo, afirmou que a oposição não está segura se terá votos suficientes para o referendo. Ele também garantiu que cada assinatura será revisada e que o chavismo está bem preparado para enfrentar este processo previsto na constituição venezuelana. O próprio ex-presidente Hugo Chávez defendia o referendo revocatório como forma do povo avaliar a gestão após o cumprimento da primeira metade do mandato presidencial.

Entrega das assinaturas foi segunda etapa do processo

A entrega das assinaturas foi a segunda etapa do processo de ativação desse mecanismo. Agora, o Poder Eleitoral tem 30 dias para verificar as assinaturas e responder se estão ou não corretas. Em seguida, a oposição deve fazer uma segunda coleta e em apenas três dias alcançar quase quatro milhões de assinaturas.

Depois disso, o Conselho Nacional Eleitoral fará outras verificações e, com todos os dados corretos, fará a convocação do referendo definindo data e pergunta. Caso o referendo aponte o interesse da maioria de escolher um novo presidente, será feira uma campanha eleitoral de apenas 20 dias e logo a eleição presidencial. Caso o processo se estenda até a segunda metade de janeiro de 2017, quem assume a presidência é o vice-presidente venezuelano, posto ocupado atualmente pelo chavista Aristóbulo Isturiz.
 


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