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Américas

Equador eleva impostos para reconstruir zonas destruídas por terremoto

media Bombeiros tentar encontrar sobreviventes entre os escombros REUTERS / Guillermo Granja

Com cada vez menos esperança de encontrar sobreviventes nos escombros, o governo do Equador anunciou medidas econômicas drásticas para enfrentar os efeitos do terremoto de sábado, de 7,8 graus, e já pensa na longa e cara reconstrução da zonas afetadas.

O presidente Rafael Correa, que calculou os danos em US$ 3 bilhões de dólares, anunciou na quarta-feira (20) o aumento do IVA (imposto sobre valor agregado) de 12% a 14% durante um ano e contribuições obrigatórias de um dia de salário para cada US$ 1.000 mensais.

"Se você ganha US$ 1.000, contribuirá com um dia apenas um mês. Se ganha US$ 2.000, um dia durante dois meses, até os que ganham mais de US$ 5.000, que contribuirão com um dia durante cinco meses", disse o presidente em um discurso transmitido na rádio e televisão públicas.

Correa também anunciou uma "contribuição de uma só vez de 3% adicional sobre utilidades e de 0,9% sobre pessoas físicas com patrimônio superior a US$ 1 milhão".

Terremoto deixou 525 mortos

O terremoto, o mais grave no país desde 1979, deixou 525 mortos e mais de 5.700 feridos. Quase 800 edifícios foram destruídos, e outros 600 afetados, ao mesmo tempo que estradas e infraestruturas entraram em colapso em zonas turísticas. Foi um duro golpe para o país, que tem a economia atrelada ao dólar e que foi muito afetado pela queda do preço do petróleo.

Apesar de ter afirmado que o país está "muito mais preparado" que antes para enfrentar esse tipo de tragédia, Correa informou que o Estado "buscará vender" alguns ativos "para superar os momentos difíceis", mas sem especificar quais, e disse que avalia emitir títulos da dívida.

As medidas serão somadas a outros aumentos iminentes de impostos, como da cerveja e do cigarro, que devem ser aprovados na Assembleia Nacional, em um país com grandes necessidades de financiamento e que deve enfrentar milionários vencimentos da dívida em 2016.

"O tema do terremoto permite ao governo tornar muito mais aceitável para a população esse tipo de aumento de impostos, que deve ajudar a administrar de maneira melhor o ano", disse à agência France Presse o economista Alberto Acosta.

Poucas esperanças de encontrar mais sobreviventes

Com o passar dos dias, a angústia dos sobreviventes que tentam encontrar os parentes aumenta, ao mesmo tempo que as equipes de resgate têm cada vez menos esperanças de encontrar alguém com vida nos escombros.

No porto de Manta, muito afetado pelo terremoto, uma brigada de bombeiros trabalhou durante a noite em meio ao forte odor dos corpos em decomposição.

O balanço oficial mais recente cita 525 mortos e 5.733 feridos, além de 163 pessoas em paradeiro desconhecido. Na terça-feira, as autoridades mencionaram 1.700 desaparecidos. Desde sábado foram registrados 535 tremores secundários, alguns deles acima de 6 graus.
 

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