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Américas

Cuba não precisa de presente dos EUA, diz Fidel Castro

media Fidel Castro em aparição pública na Venezuela. REUTERS/Estudios Revolucion/Cubadebate

O ex-presidente cubano Fidel Castro afirmou nesta segunda-feira (28) que, apesar da recente visita histórica de Barack Obama, Cuba não se esquecerá dos combates no passado com o país.  

"Somos capazes de produzir alimentos e riquezas materiais das quais precisamos graças aos esforços e à inteligência do nosso povo", escreveu o pai da Revolução Cubana, aos 89 anos, em um texto publicado uma semana depois da visita do presidente americano a Cuba.

Na carta, intitulada “O irmão Obama”, o ex-presidente cubano, que deixou o poder em 2006, ironiza as palavras "açucaradas” pronunciadas por Obama durante sua visita a Havana. “Corríamos o risco de ter um infarto ouvindo o presidente americano”, continua Fidel, listando uma série de problemas passados e que persistem entre os dois países apesar da reaproximação em 2014 entre o presidente americano e Raúl Castro.

Fim da guerra fria

Durante um discurso transmitido pela imprensa cubana na semana passada, o presidente americano havia pedido a Havana que enterrasse “o último vestígio da Guerra Fria”, e que proporcionasse mais liberdade e democracia na ilha, “sem querer impor mudanças em Cuba”.

Em resposta a esse discurso, Fidel sugeriu que o chefe de Estado americano não tentasse elaborar teorias sobre a política cubana. “Não se iludam. O povo desse país nobre e honesto não renunciará à glória e aos direitos e à riqueza espiritual, adquirida pelo desenvolvimento da educação, da ciência e da cultura”, declarou o ex-presidente.

Fidel Castro, que vai completar 90 anos no dia 13 de agosto, deixou de fazer aparições públicas em 2015, mas a imprensa oficial publica com frequência fotos do ex-chefe de Estado recebendo convidados em sua casa, além de chefes de Estado que ele considera “amigos”.

Ele nunca se opôs abertamente à reaproximação entre os dois países e chegou a aprovar a iniciativa de seu irmão Raúl, reafirmando sua desconfiança em relação ao velho inimigo da Guerra Fria.

 

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