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América Latina quer virar página de governos populistas

América Latina quer virar página de governos populistas
 
O presidente da Bolívia, Evo Morales, reconheceu nesta quarta-feira (24) a primeira derrota nas urnas em dez anos. REUTERS/Bolivian Presidency/Handout via Reuter

Depois de Hugo Chávez, Evo Morales é o segundo presidente sul-americano que, nesse século 21, perde a batalha do referendo para autorizar a reeleição. Pelo visto os cidadãos latino-americanos se cansaram dos salvadores da pátria. Enquanto a Europa – e até os Estados Unidos – estão ameaçados pelo perigo do populismo, nacionalista e xenófobo, a América Latina parece querer virar a página de seus decênios de demagogos, autoproclamados “amigos do povo”.

 

Na verdade, os dois fenômenos são paralelos. Nessas três áreas geográficas da tradição democrática ocidental o problema central é como inventar novas políticas sociais e econômicas adaptadas à nova revolução global na maneira de produzir e comunicar. As decisões econômicas – governamentais e privadas – e até as formas da representação política estão se tornando obsoletas. Na Europa, uma parte da população perdeu a confiança nos políticos tradicionais incapazes de enfrentar os problemas da globalização.

Muitos sonham com uma volta aos prósperos anos das décadas de 1960 e 70, quando a produção de massa e o consumo de massa criaram uma classe média abastada, na Europa ocidental e nos Estados Unidos. Doce ilusão. A tecnologia e as técnicas produtivas mudaram o mundo. Mas o desespero diante da impotência dos governantes está alimentando a fúria dos populistas que prometem que, com eles, amanhã vai ter lanche de graça.

Consumo de massa era só para uma minoria

Na América Latina, durante quase um século, os governos tentaram resolver os problemas da industrialização e da urbanização galopante distribuindo dinheiro público. Mas consumo de massa era só para uma minoria. O resto era uma ciranda assistencialista: um bom naco para quem tinha boas conexões com o poder e a sobra era para manter a paz social numa multidão de pobres. Numa região que ainda depende da exportação de matérias primas, quando o preço das mesmas subia era uma festa.

Uma maioria contente e esperançosa. Quando preço ia para o chão era um desespero: a banca estourava, o estado afundava no endividamento, o setor privado perdia uma parte dos subsídios, a inflação detonava e os pobres voltavam a se sentir pobres e a perder as esperanças. E a cada ciclo, um novo demagogo aparecia para proclamar que tinha uma solução milagrosa e simples: vender banana e distribuir as cascas.
Hoje, não dá mais para enganar.

Acabou o dinheiro fácil

A nova economia, conectada, eficiente e inteligente, não precisa tanto de matéria prima. Os preços não vão subir tão cedo. Acabou o dinheiro fácil: os latino-americanos vão ter que aprender a “vender” e não só a “serem comprados”. De tanto inchar, as grandes cidades latino-americanas tornaram-se extremamente desiguais, violentas, praticamente ingovernáveis, cheias de pessoas ultra-conectadas, informadas e frustradas, batendo nas vitrines chiques que nem moscas.

Ninguém se satisfaz mais só com comida e um consumozinho de terceira categoria. Não é nem mais uma questão de esquerda ou de direita. As pessoas querem governos eficientes, bons administradores, saúde e transportes funcionando, um modelo econômico moderno e sustentável, com salários decentes e políticos honestos que trabalhem para o bem de todos e não só do próprio bolso e o dos apadrinhados.

Populismos clientelistas só convencem mais incautos

Os populismos clientelistas, típicos da região, só convencem os muito incautos: a época em que uma esmolinha resolvia não vão mais voltar. O presidente boliviano, longe das loucuras bolivarianas, até que fez um governo razoável para criar uma pequena esperança. Mas uma maioria dos cidadãos bolivianos não estava a fim de ver a mesma pessoa e a mesma camarilha se beneficiando do poder para sempre.

E é isso que ainda não entenderam os Evo, Cristina, Maduro, Uribe ou Lula, que continuam tachando o povo de “ingratidão” e denunciando as redes sociais, como se fosse possível proibir a tecnologia e a circulação de ideias, opiniões e sentimentos. Só o equatoriano Rafael Correa foi mais experto e decidiu pendurar as chuteiras antes que seja tarde. O populismo é um dragão que nunca é vencido definitivamente – a Europa que o diga – mas pelo momento a América Latina não é mais terreno fértil para ele. Boa notícia!
 

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