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Américas

Quem é Bernie Sanders, ídolo dos jovens, mulheres e negros dos EUA

media O pré-candidato democrata Bernie Sanders, durante comício em New Hampshire. REUTERS/Rick Wilking TPX IMAGES OF THE DAY

Ele tem 74 anos, um jeito de avô low profile e total indiferença por sua aparência. O comportamento modesto de Bernie Sanders, pré-candidato às eleições norte-americanas pelo Partido Democrata, poderia ofuscá-lo diante do furacão Hillary Clinton, sua rival na corrida eleitoral. Mas, ao contrário, seu discurso assumidamente socialista aliado à insistência em afirmar sua simplicidade conquistou jovens, mulheres, e vem principalmente agradando a comunidade afro-americana, um eleitorado importante e numeroso que pode fazer toda a diferença para Sanders.

Quando começaram os debates entre os pré-candidatos democratas e republicanos, no ano passado, todos se perguntavam: quem é Bernie Sanders? Nem os norte-americanos conheciam direito o perfil do senador do pequeno Estado do Vermont, no nordeste dos Estados Unidos. Diante das midiáticas polêmicas suscitadas pelo bilionário Donald Trump, da forte presença do galã dos conservadores, Marco Rubio, e o peso dos nomes de Jeb Bush e Hillary Clinton, a presença do democrata chegou até a passar despercebida no começo.

Mas, com o tempo, Sanders ganhou força ao assumir suas posições e defendê-las diante de Hillary, até então, a estrela dos progressistas. "Sou socialista e todo mundo sabe disso" - a frase do senador ecoou nos Estados Unidos e, ao contrário do que se imaginava, angariou opiniões positivas. A ideia de que socialismo não está associado a extremismo vem sendo comprada pelo eleitorado que parece estar de acordo com a "revolução" proposta pelo pré-candidato.

Um governo revolucionário proposto por um candidato "normal"

A briga contra as desigualdades entre pobres e ricos e a corrupção, as manifestações sobre a necessidade do aumento do salário mínimo, a defesa do meio-ambiente e da energia limpa, a proposta da gratuidade dos serviços básicos de saúde e do ensino superior, a luta contra o racismo e a insistência em se mostrar como um candidato independente e alternativo - longe da política tradicional que vem desinteressando os norte-americanos-, voltaram os olhares dos eleitores democratas para Sanders. 

Tudo isso aliado à "normalidade" de sua personalidade e a simplicidade com que se apresenta em público. Cabelos brancos, terno e óculos modestos, sem gravata, a insistência em ser chamado apenas como "Bernie", o que que vem sendo classificado pela imprensa francesa como "o Senhor Todo Mundo". A própria esposa de Sanders, Jane O'Meara, afirmou que o guarda-roupas do marido se resume "a sete suéteres". Nas redes sociais, multiplicam-se fotos do senador pegando voos em classes econômicas, atitude que ganhou até hashtag #SandersOnAPlane (Sanders no avião, em português).

Jovens, mulheres e negros estão na mira do senador

Posicionando-se mais à esquerda que Hillary e sem medo de tocar em assuntos polêmicos, o pré-candidato democrata vem conquistando, desta forma, um eleitorado que tem sede de mudanças, atraído por seu idealismo, sua energia e sua autenticidade. Como diz o próprio slogan de campanha do pré-candidato, "A Future To Believe In", Sanders se mostra como um futuro para se acreditar. Não é à toa que os admiradores do socialista são, em sua maioria, jovens, mulheres e negros: uma parcela da população sempre colocada à margem da sociedade pela imponente elite branca conservadora dos Estados Unidos. 

Hillary também levanta a bandeira do eleitorado feminino, principalmente ao vender a ideia de que ela pode ser a primeira presidente mulher do país. E é extremamente apoiada por grandes personalidades feministas do país, como Madeleine Albright, que ameaçou as norte-americanas de "ter um lugar especial no inferno", caso não votassem na ex-secretária de Estado. Mas Hillary peca ao não dar o mesmo espaço aos jovens, negros, latinos e gays, eleitorado especialmente responsável pelas vitórias do presidente Barack Obama.

Spencer Platt/Getty Images/AFP

O medo da comunidade afro-americana de perder seu representante na Casa Branca, aliás, é algo que vem monopolizando a atenção de Sanders. Na quarta-feira (10), ele se reuniu em Nova York com uma das personalidades históricas da comunidade negra norte-americana, o pastor Al Sharpton. Eles tomaram café da manhã juntos no bairro do Harlem, no restaurante Sylvia's, o mesmo no qual Obama se reuniu com Sharpton, durante a campanha eleitoral de 2008.

Sanders, que foi recebido com aplausos, não deu nenhuma declaração ao sair do encontro, quase meia hora depois. Enquanto isso, Sharpton informou que se reuniria em breve com Hillary para depois declarar qual dos dois candidatos democratas apoiará. "Minha preocupação é que em janeiro do ano que vem, pela primeira vez na história, uma família negra se mudará da Casa Branca. Não quero que as preocupações dos negros se mudem com eles. O fato de o senador Sanders estar aqui esta manhã mostra ainda mais claramente que não seremos ignorados", declarou o pastor ao deixar o encontro.

Ensaio de uma vitória

Apesar dos avanços do senador, Hillary ainda é a favorita do eleitorado democrata. Mas no caucus do Estado de Iowa, ela obteve apenas 49,8% contra 49,6% para seu rival. Depois, nas primárias de Nova Hampshire, a ex-secretária de Estado recebeu 38% dos votos contra 60,4% para Sanders, votação em que o senador protagonizou um ensaio de uma vitória nas eleições presidenciais.

Diante de todos os que dizem que um socialista nunca será presidente dos Estados Unidos, Sanders vem, assim, surpreendendo e conquistando terreno. "A equipe Clinton está sob tensão", publicou recentemente o New York Times, prevendo que a disputa deve se acirrar no próximo caucus de Nevada, no dia 20 de fevereiro, e nas primárias da Carolina do Sul, no dia 27 de fevereiro.

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