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Candidatos mais radicais ganham força na eleição americana

Candidatos mais radicais ganham força na eleição americana
 
O ex-presidente dos EUA Bill Clinton e sua filha Chelsea durante comíssio de Hillary Clinton em Council Bluffs, Iowa 31 de janeiro de 2016. REUTERS/Brian Snyder

Começou a "inhanha" da escolha dos candidatos para a eleição presidencial americana. As prévias no estado de Iowa não são decisivas. Historicamente, são poucos os vencedores deste primeiro teste que acabaram nomeados por seus partidos. Mas o Iowa pode dar um impulso em quem vencer e uma freada em quem perder nessa largada de uma competição extenuante até as convenções partidárias do mês de julho.

Queiramos ou não, o planeta vai ficar pendurado nesse vale-tudo político. Uma eleição presidencial americana não é qualquer uma. Os Estados Unidos são e continuarão sendo durante muito tempo ainda a maior potência mundial. São eles que assumem o papel de fiador em última instância das atuais regras do jogo internacional – políticas, econômicas e de segurança. A economia americana continua sendo a maior e a mais inovadora.

O dólar e Wall Street constituem o principal lastro do sistema financeiro global. São as Forças Armadas americanas que defendem a liberdade de navegação e de comércio em todas as regiões do mundo, e a segurança da constelação de satélites espaciais e das comunicações essenciais para o funcionamento de todas as sociedades do planeta. Claro, ninguém se sente confortável com o poder avassalador do Tio Sam, mas na hora do vamos-ver de verdade, não há quem não reclame uma ajuda e muitas vezes uma intervenção da potência americana.

Eleições americanas influenciam todo o mundo

Portanto não dá para esnobar o processo de escolha do próximo presidente dos Estados Unidos. Todo esse poder está concentrado nas mãos do inquilino da Casa Branca e do aparelho Executivo. Em matéria de decisões domésticas, o Congresso pode sabotar e complicar muito o programa político e social do presidente. Mas na política externa, o espaço de decisão presidencial é imenso. E muita coisa depende da personalidade e da visão do mundo do “Número 1”. Só que nos Estados Unidos, como aliás no resto do mundo, os dirigentes políticos têm que enfrentar eleitorados cada vez mais fragmentados e angustiados, e a perda de capacidade de decisão diante dos novos problemas econômicos, financeiros, informáticos, de segurança ou ambientais cada dia mais globalizados.

Republicanos e democratas estão divididos e enfraquecidos

As sondagens antes da prévia do Iowa mostram que nos dois grandes partidos – aliás cada vez mais divididos e enfraquecidos – os militantes mais enraivecidos e extremistas estão a fim de impor os seus candidatos, mesmo sabendo que poderiam perder a eleição nacional em novembro. No campo republicano, o páreo por enquanto, é entre o populista desbocado Donald Trump e o ultraconservador religioso Ted Cruz. Os outros candidatos, mais sérios e moderados, estão correndo por fora, vários corpos atrás. Do lado democrata, Hillary Clinton – a candidata mais bem preparada e mais séria de todos – está sendo ameaçada por Bernie Sanders, um velho sem a mínima capacidade de ganhar uma eleição nacional e que se proclama “socialista” – nos Estados Unidos é quase um insulto.

Bases militantes revoltosas podem influenciar campanha

O mapa sociológico dessa raiva bate perfeitamente com os setores da classe média branca – jovens ou velhos – com poucos anos de escolaridade, e que perderam salário, emprego e confiança no futuro frente à grande deslocação econômica da globalização. São os sacrificados da nova maneira de viver e produzir do século 21. Essas bases militantes revoltosas não representam mais de 20% do eleitorado americano, mas o seu poder de mobilização pode ter uma influência decisiva no processo interno de seleção do candidato a presidente.

Portanto, mesmo se o establishment republicano e democrata está horrorizado com esta perspectiva, nada garante que no final das contas, os Estados Unidos não terão que escolher entre dois políticos irresponsáveis, sem nenhuma preparação e sem nenhuma capacidade de aplicar o próprio programa.
Por enquanto, a estrada ainda é longa. Derrotas no Iowa não querem dizer que os competidores mais sérios não vão chegar lá. Mas vão ter que “ralar” – o que não é uma má notícia para a democracia americana. Mas se o extremismo de poucos acabar vencendo a parada, os Estados Unidos e o mundo vão ter que apertar os cintos. Zona de turbulência braba.
 


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