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2016 será o ano da verdade para a América Latina

2016 será o ano da verdade para a América Latina
 
"A queda espetacular dos preços internacionais dos produtos agrícolas, do petróleo e dos minérios – e que vai durar ainda por muito tempo – é só o primeiro sinal dessa nova realidade." REUTERS/Marcos Brindicci

Para a América Latina, 2016 será o ano da verdade. Já em 1500, Pero Vaz de Caminha avisava: “nessa terra, em se plantando tudo dá”. Ficamos com o “tudo dá” e esquecemos o “em se plantando”. O negócio era enriquecer rapidinho com o menor esforço possível. Para não ter que botar a mão na massa, importamos milhões de escravos e mão-de-obra imigrante e baratinha. Éramos tão abençoados em produtos naturais que bastava vender comidinha e minério para o Primeiro Mundo e comprar bugiganga de luxo em Paris, Londres ou Nova Iork.

Durante cinco séculos vivemos disso. Alguns prosperaram – muito poucos – os outros se ajeitaram. No século XX, nem fomos capazes de grandes revoluções. Os trabalhadores eram calados pela distribuição populista de algumas migalhas ou pela repressão. Os poucos empresários e fazendeiros beneficiavam-se dos subsídios e de um mercado cativo protegido pelo Estado. Assistencialismo público insustentável – e corrupto – nos dois casos. Mas dava para segurar o rojão na gangorra das vacas magras e gordas. O segredo desse “modelito” – depois apelidado “desenvolvimentismo” – era esse toma-lá-dá-cá entre políticos demagogos, empresários apaniguados e sindicalistas venais. Um “viscoso conúbio”, diria Érico Veríssimo.

“A festa acabou”

Só que a festa acabou. O dinheiro público não dá mais para contentar trabalhadores, empresários e políticos gananciosos. A mão-de-obra barata, agora urbanizada, hiper-conectada e informada, acredita cada vez menos nas vantagens de curto prazo que viram miséria mais adiante. Na América Latina, o populismo irresponsável ainda não foi enxotado, mas está cada dia mais encurralado. Ser “comprado” não é mais uma opção: as populações querem crescimento econômico sério e duradouro, serviços públicos de qualidade e moralidade na vida política. Pior ainda para os estamentos de sempre, o mundo vai precisar de muito menos matéria-prima, a principal fonte de renda da região nos últimos séculos.

A queda espetacular dos preços internacionais dos produtos agrícolas, do petróleo e dos minérios – e que vai durar ainda por muito tempo – é só o primeiro sinal dessa nova realidade.

Planeta vive revolução tecnológica e industrial

O planeta está vivendo uma revolução tecnológica e industrial tão violenta quanto a grande mudança de paradigma no começo do século XX. Até as grandes cadeias produtivas globais estão ameaçadas de obsolescência. Novas maneiras de organizar a produção, graças às tecnologias da informação e à robotização, estão criando um novo modelo: ecossistemas de serviços embutidos em produtos físicos fabricados a custo cada vez menores. Trata-se de uma produção que depende de inovações permanentes e personalizadas para o gosto e necessidades de cada cliente.

Esse novo modelo é infinitamente mais eficiente e precisa de relativamente pouca matéria-prima. E a revolução tecnológica está também transformando o uso de energia, consumindo menos e inventando novas fontes, bem mais limpas. Mas a América Latina não tem condições sociais, educacionais, políticas e administrativas de competir com os centros mundiais dessa nova economia “digital” (os Estados Unidos e a Europa). E não há salvação na venda de produtos naturais. As poucas cadeias produtivas nacionais e protegidas também não podem sobreviver, nem mesmo diante da competição das cadeias globais – não há mais caixa para continuar bancando a baixa produtividade latina.

Saída está em nichos nas cadeias globais

Sobra só a possibilidade de encontrar nichos de maior valor agregado possível nas cadeias globais, cada vez mais consolidadas em torno a três pólos: China/Japão, Europa e Estados Unidos. É a única maneira de tentar crescer para dar tempo de fazer as reformas sociais e políticas necessárias para subir a montanha da economia “digital”. Só que vamos ter que sacrificar o nosso “modelito” de 500 anos: liberalizar a economia e promover a competição interna, investir na excelência na educação, limpar nossas velhas burocracias corruptas, dar garantias jurídicas aos querem se arriscar à empreender, reinventar as leis trabalhistas e acabar com os subsídios e proteção que servem só para poucos... Enfim, passar do velho “você sabe com quem está falando”, para um estado de direito efetivo onde quem manda é o cidadão e a liberdade de criação. Mas o tempo é curto. 2016 é o ano onde começa o “ou vai ou racha”. Se não for, vai ser “racha” mesmo. Feliz Ano Novo para todos os ouvintes.
 


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