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Américas

Com pedido de renúncia de ministros, Bachelet tenta superar crise no Chile

media A presidente do Chile, Michelle Bachelet. REUTERS/Victor Ruiz Caballero

A presidente chilena, Michelle Bachelet, surpreende e pede a renúncia de seu governo. Em uma entrevista na noite desta quarta-feira (6) ao jornal do Canal 13, Bachelet disse com a voz embargada que deu 72 horas para os ministros entregarem os cargos. Ela foi entrevistada pelo conhecido apresentador Don Francisco. "Este é o momento para fazer uma mudança do gabinete", afirmou.

Um ano e dois meses depois de Bachelet voltar à presidência, o governo chileno atravessa a pior crise política dos últimos 25 anos, minado por uma série de escândalos.

O filho mais velho da presidente, Sebastián Dávalos, e sua nora, Natalia Compagnon, foram indiciados por tráfico de influência e obtenção de informações privilegiadas em um milionário negócio imobiliário.

O governo também enfrenta investigações de financiamento ilegal de campanhas políticas por parte dos grupos econômicos Penta e Soquimich. As denúncias provocaram grande desconfiança entre a população e queda da popularidade de Bachelet, que tem agora apenas 31% de aprovação.

O ministro do Interior e chefe de gabinete da presidência, Rodrigo Peñailillo, 40 anos, é um dos nomes mais citados para deixar o cargo. Considerado o "herdeiro político" de Bachelet, Peñailillo foi mencionado no escândalo de financiamento irregular de campanhas políticas e sua gestão da crise tem sido muito criticada.

O chanceler Heraldo Muñoz, envolvido atualmente na ação que questiona a competência da Corte Internacional de Justiça em Haia para tratar da demanda marítima da Bolívia contra o Chile, é outro ministro na berlinda.

Moralização

Na semana passada, Bachelet anunciou que iniciará em setembro o processo para redigir uma nova Constituição que substitua a Carta herdada da ditadura de Augusto Pinochet, de 1980. Esta foi uma das principais promessas de campanha da líder socialista. A nova Constituição deverá ser referendada pelo Congresso, onde o governo tem maioria.

Em uma tentativa para superar a crise, Bachelet divulgou na semana passada uma série de medidas de moralização, incluindo a eliminação das contribuições anônimas e "reservadas" para as campanhas políticas e as contribuições das empresas. Bachelet também anunciou que o Estado passará a financiar os partidos políticos, que serão submetidos a controles financeiros mais severos, e que os políticos que cometerem crimes perderão seus mandatos.

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