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Américas

Justiça chilena reabre inquérito para investigar morte de Pablo Neruda

media A Justiça chilena ordenou a realição de novas investigações para determinar a causa da morte de Pablo Neruda. wikipédia

O Ministério do Interior chileno anunciou nesta quinta-feira (22) a abertura de um novo inquérito para determinar se existem “toxinas” presentes nos ferimentos do corpo Pablo Neruda. O poeta morreu oficialmente no dia 23 de setembro de 1973, vítima de um câncer da próstata, poucos dias depois do golpe de estado do general Pinochet. Ele era um opositor ferrenho do regime.

Desde então, diversas investigações foram abertas para apurar outras possíveis causas da morte de Neruda, mas todas afastaram a hipótese de um envenenamento, defendida pelo seu motorista. De acordo com o advogado Rodrigo Lledó, do programa de direitos humanos do Ministério, essa nova investigação determinará a existência de substâncias tóxicas nas células do corpo do poeta. “Não procuramos veneno. Procuramos mais um possível efeito que um agente químico, biológico ou radiológico poderia ter provocado”, diz.

Em novembro de 2013, um grupo de especialistas descartou a ocorrência do envenenamento. O laudo do Instituto Médico Legal não mostra a existência de elementos químicos que possam ter levado à morte do poeta. Mas os exames indicam a presença de metástases em diversos segmentos do esqueleto.

Poeta teria sido assassinado, diz motorista

Apesar das conclusões, o inquérito não foi arquivado porque a Justiça considerou que não há provas suficientes de que ele não tenha sido morto. De acordo com o motorista de Neruda, Manuel Araya, o poeta foi assassinado em um hospital de Santiago, pouco tempo antes de tentar deixar o país. Ele conta que Neruda foi internado, mas não por problemas de saúde. Na verdade, ele aguardava um avião enviado pelo governo mexicano, que o tiraria do Chile.

Neste hospital, Pablo Neruda teria recebido uma injeção letal, uma tese que não é corroborada pela maioria da família. O cadáver do prêmio Nobel de Literatura de 1971 foi exumado em abril de 2013. O poeta e sua terceira mulher, Mathilde, foram enterrados na Ilha Negra, no oceano Pacífico.
 

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