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Américas

Maduro visita China e países da Opep em busca de solução para crise

media O presidente venezuelano, Nicolás Maduro. REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, viajou no domingo (4) para a China em busca de apoio político e financeiro para enfrentar a crise na Venezuela. A situação no país se agravou nas últimas semanas pela prolongada queda nos preços do petróleo. Além da China, Maduro também visitará países membros da Opep (Organização de Países Exportadores de Petróleo).

Antes de deixar Caracas, em um pronunciamento de rádio e TV, Maduro falou sobre a viagem. "Parto para um giro muito importante [...] para tratar de novos projetos e de circunstâncias que afetam a nossa pátria, com a queda abrupta dos preços do petróleo", destacou. Ele afirmou que o convite para ir à China partiu do presidente chinês, Xi Jinping. Maduro viaja acompanhado da nova ministra venezuelana das Relações Exteriores, Delcy Rodríguez.

Além dos encontros com dirigentes chineses, Maduro vai participar da cúpula China-Celac (Comunidade dos Países Latino-americanos e Caribenhos), prevista nos dias 8 e 9 de janeiro.

Pressão na Opep

O governo venezuelano não informou que países da Opep serão visitados por Maduro, nem as datas. Nos últimos dois meses do ano, o líder fez pressão sobre os países do cartel para reduzir a produção de petróleo, a fim de provocar um aumento nos preços do barril. Mas a Arábia Saudita, maior produtor mundial, bloqueia essa alternativa.

O preço do barril venezuelano caiu mais de 50% desde junho 2014 e era negociado, no final de dezembro, a US$ 46,97. Esse valor reduz drasticamente a renda do país, que tem 96% de suas receitas geradas pelas exportações de petróleo.

Com uma inflação que chegou a 64% em 2014, a Venezuela enfrenta uma grave crise de abastecimento. Cerca de 90% dos produtos vendidos no país são importados. O governo passou a enfrentar dificuldades de caixa para pagar fornecedores, com o recuo das receitas do petróleo.

Empréstimos bilionários de Pequim

A China já acertou empréstimos de longo prazo para a Venezuela no valor de US$ 42 bilhões. Segundo dados oficiais, US$ 24 bilhões foram repassados.

O economista venezuelano Asdrúbal Oliveros indicou no Twitter que o governo chinês poderia conceder um novo empréstimo de até US$ 5 bilhões a Caracas. Esse montante é considerado insuficiente, já que, pelas contas do economista, o país precisa de US$ 20 bilhões a curto prazo.

Atualmente, as reservas internacionais da Venezuela giram em torno de US$ 21,5 bilhões. Em 2015, o governo deve pagar US$ 10 bilhões de dívida externa, sem contar os pagamentos devidos a fornecedores de bens e serviços.

Mudanças na área de câmbio

Maduro pretendia anunciar no fim de semana medidas cambiais para enfrentar a queda na arrecadação e a retração da economia. Em vez disso, ele propôs a criação de um fundo estratégico de reservas em moeda local, nomeou uma nova equipe para o órgão que administra o câmbio e as reservas, além de criar novos organismos de controle e distribuição de produtos básicos.

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