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Brasil

Brasil cogita área de livre comércio na América do Sul em 2019

media O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, participa da 18ª Conferência Industrial Argentina. Wilson Dias/ABr

O ministro brasileiro das Relações Exteriores Antonio Patriota cogitou a hipótese de uma frente de livre comércio na América do Sul a partir de 2019. A declaração foi feita durante a Conferência Industrial Argentina nessa terça-feira. O chanceler disse ainda que não vê obstáculo para a entrada da Bolívia no Mercosul, mas que o retorno do Paraguai ao bloco ficará para depois das eleições livres e democráticas em abril de 2013.

Márcio Resende, correspondente em Buenos Aires

De passagem pela Argentina, o ministro brasileiro das Relações Exteriores falou sobre o futuro da região e lançou a hipótese do eixo Brasil-Argentina como base de uma integração sul-americana. "O Mercosul atua como uma câmara de ensaio, uma pedra basilar de um projeto maior : a integração sul-americana que ocorre de forma muito acelerada. Até 2019, teremos uma região que constituirá uma frente de livre comércio", anunciou Antonio Patriota durante sua palestra na 18ª Conferência Industrial Argentina, organizada pela principal entidade empresarial do país, a União Industrial Argentina (UIA) nessa terça e quarta-feira.

O anúncio pegou a plateia de empresários argentinos e brasileiros de surpresa, inclusive o assessor especial da presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. "Acredito que sejam cálculos de desoneração no âmbito da Unasul (União de Nações Sul-americanas). Eu também fiquei surpreendido", tentou explicar o assessor à imprensa.

O Brasil é o tema dessa edição da Conferência, que se concentra na integração bilateral e tem como título "Argentina e Brasil, Integração e Desenvolvimento ou o risco da primarização (da Economia)". É preciso voltar ao ano de 1996, quando o antigo Grupo Brasil (que reunia 200 empresas brasileiras na Argentina) conseguiu reunir dois presidentes (Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem) e centenas de empresários. O Mercosul vinha de apenas um ano de União Aduaneira e prometia integração sem fissuras. A reunião de agora ocorre num contexto de fortes investimentos brasileiros na Argentina e de um fluxo comercial muito superior, mas com barreiras comerciais contra as importações num volume inédito.

Bolívia no Mercosul

Como fortalecimento do Mercosul, depois da entrada da Venezuela como membro pleno e do pedido de adesão do Equador, o próximo país a manifestar o desejo de incorporar-se ao grupo é a Bolívia. "O pedido formal (da Bolívia) já foi feito. Provavelmente tenhamos agora no dia 7 a oportunidade de analisar em concreto", explicou Marco Aurélio Garcia. Para ele, não há incompatibilidade para que os bolivianos integrem o Mercosul, mesmo fazendo parte da Comunidade Andina de Nações.

Por outro lado, o governo brasileiro descartou Diante da possibilidade de os países da Unasul tratarem de um regresso do Paraguai ao bloco sul-americano na próxima reunião de Cúpula em Lima no Peru no dia 30, e do Mercosul definir esse retorno na reunião de Brasília no próximo dia 7. A presidente Dilma Rousseff não vai viajar a Lima e tanto o ministro Patriota quanto o assessor Marco Aurélio Garcia confirmaram a condição de eleições "livres e democráticas" para uma volta do Paraguai como membro pleno. "A Unasul não vai involuir na sua posição (condicional de eleições). Fixamos uma data. Essa data são as eleições. Queremos eleições limpas e queremos que o Paraguai volte. Precisamos de um prazo para isso e a normalização do processo democrático. E essa normalização passa concretamente hoje por eleições", confirmou Marco Aurélio Garcia.

Brasil preocupado com possível calote técnico argentino

A assessor da presidência também afirmou que o Brasil acompanha com preocupação o desfecho da sentença judicial norte-americana que obriga a Argentina a pagar a dívida em default aos credores que não aceitaram a reestruturação. Para o representante da Presidente Dilma Rousseff, a sentença cria um perigoso precedente internacional que impediria que no futuro países em dificuldades pudessem reestruturar as suas dívidas. "O governo brasileiro está preocupado com esse assunto para o mundo. É um precedente grave não só para a América do Sul, mas para a atividade econômica internacional. Amanhã a Grécia ou Portugal, se quiserem fazer uma negociação da sua dívida externa, será muito difícil encontrar compradores que estarão preocupados com a possibilidade de um juiz qualquer em Nova Iorque ou Mineapolis tomar uma decisão", explicou Marco Aurélio Garcia.

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