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Américas

Acordo de paz na Guatemala completa 15 anos em meio a guerra contra o tráfico

media Rigoberta Menchu, prêmio Nobel da paz de 1992, critica os acordos de Paz da Guatemala assinados em 1996. Flickr/Edgar Zuniga Jr.

A Guatemala comemora nesta quinta-feira 15 anos da assinatura dos acordos de paz que colocaram fim a uma guerra civil sangrenta de 36 anos. No entanto, os tratados não impediram a emergência de uma outra guerra: a luta contra o tráfico armado de drogas.

Com a colaboração de Carla Tomazini

O aniversário de 15 anos dos acordos de paz na Guatemala traz à tona uma discussão sobre a violência alarmante e o tráfico de drogas que devasta o país. Os "maras", braços armados dos cartéis de drogas desde os anos 1980, recrutam seus efetivos nos bairros mais pobres das cidades da Guatemala. O país é um dos recordistas mundiais de homicídios, com uma média de 18 assassinatos diários. No total, os números da violência atual são maiores que as 200.000 mortes ou desaparecidos registrados na época da guerra civil entre 1960 e 1996, segundo a ONU.

A impunidade também é um outro fator preocupante. De acordo com a ONU, 98% dos crimes cometidos nos dias de hoje permanecem impunes.

O presidente social-democrata Alvaro Colom e o presidente recém-eleito que toma posse em janeiro Otto Pérez Molina reconhecem que é urgente lutar contra o crime organizado, responsável por mais da metade dos delitos cometidos no país. Para alguns observadores, a situação atual é uma "herança maldita" da guerra, sobretudo pelo desrespeito dos acordos de paz de 1996.

Acordos de paz desrespeitados

Na última terça-feira, a justiça anunciou a suspensão dos inquéritos contra o antigo ditador Oscar Mejida (1983-1986) acusado do genocídio e de crimes de guerra, por razões de saúde. Os acordos previam a formação de uma Comissão da verdade sobre as mortes cometidas na guerra civil (93% são imputados às forças militares), a justiça social e o reconhecimento da identidade dos povos indígenas, mas nenhum engajamento foi mantido. "Os acordos de paz em 1996 foram ineficazes, por que eles permitiram a transição de uma guerra à outra. Foram acordos de desmobilização das forças em jogo, mas, ao mesmo tempo, outros grupos mais violentos se desenvolveram" estimou o representante da Transparência Internacional na Guatemala, Manfredo Marroquin.

Por sua vez, a prêmio Nobel da paz de 1992 e advogada dos direitos indígenas, Rigoberta Menchu, estimou que o desrespeito aos acordos de paz contribuiu para a "fraqueza do Estado" e para "uma sociedade onde os detentores de poder são profundamente conservadores".

Na Guatemala, metade da população vive abaixo da linha da pobreza. A desnutrição atinge 49% dos menores de idade e o sentimento de exclusão das populações indígenas (42% da população) permanece ainda alto.

O presidente Colom, em exercício até janeiro de 2012, tentou amenizar as estatísticas, garantindo que houve avanços recentes no plano social. No entanto, ele reconhece que a luta contra os poderosos cartéis é desigual. Durante o seu mandato, ele não mediu palavras para desafiar os Estados Unidos a apoiar seus esforços.

Recentemente, a população guatemalteca elegeu Otto Pérez Molina para presidente. Ex-general militar e um dos signatários dos acordos de paz, ele deverá honrar sua principal promessa: estabelecer a paz com os traficantes de drogas.

 
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