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Américas

Morte de Kirchner complica sucessão presidencial argentina

media Os presidentes Juan Manuel Santos, Lula e Hugo Chávez ao lado da presidente Cristina Kirchner. © Reuters

Uma multidão de argentinos passou a noite na fila para prestar a última homenagem ao ex-presidente argentino. A comoção provocada pela morte repentina de Néstor Kirchner, vítima de um infarto fulminante, aos 60 anos, na manhã de quarta-feira, está sendo comparada aos funerais de Evita e Juan Perón.

A presidente Cristina Kirchner passou mais de 12 horas ao lado do caixão do marido, com os filhos Máximo e Florencia, recebendo abraços emocionados dos presidentes Lula, Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, Sebastián Piñera, José Mujica, Juan Manuel Santos e Fernando Lugo.

O presidente Lula chegou a Buenos Aires acompanhado do assessor especial para Assuntos Internacionais Marco Aurélio Garcia e disse que mais que um presidente, Néstor Kirchner foi "um companheiro que ajudou a construir a integração sul-americana e da América Latina". Toda a América está de luto, lamentou o presidente paraguaio Fernando Lugo. Kirchner é a história de uma paixão argentina, comentou o venezuelano Hugo Chávez.

A Argentina perdeu um gladiador, disse Diego Maradona, que passou um fim de semana com Néstor Kirchner há duas semanas. Artistas, industriais e simpatizantes do casal Kirchner lotaram o Salão dos Patriotas Latino-americanos da Casa Rosada. Todos juntos, sem barreiras separando os chefes de Estado dos argentinos que entravam no local desejando força à Cristina, palavras carinhosas entrecortadas por aplausos e frases como "Néstor não morreu; ele vive no coração de nosso povo trabalhador".

O corpo do ex-presidente será velado até as 10h, 11h no horário de Brasília, desta sexta-feira e, em seguida, será transportado para a sua cidade natal, em Río Gallegos, na região da Patagônia, onde será sepultado em cerimônia privada.

Analistas consideram que a morte do homem mais poderoso da Argentina deixa Cristina Kirchner fragilizada para liderar a campanha presidencial de 2011. Os peronistas estão divididos e dentro do próprio partido presidencial há uma corrente dissidente que planeja lançar um candidato anti-Kirchner. Vários candidatos de oposição ao governo, tanto à esquerda como à direita, articulam alianças para se lançar na disputa pela sucessão.
 

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