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Ambição expansionista da China passa pela conquista dos portos mundiais, diz revista Le Point

Ambição expansionista da China passa pela conquista dos portos mundiais, diz revista Le Point
 
A revista Le Point dedica a sua reportagem de capa à expansão chinesa pelo mundo. Reprodução / Le Point

A revista francesa Le Point traz em sua edição dessa semana uma longa reportagem de capa sobre a ambição expansionista da China. A publicação explica como o país vem investindo em vários territórios pelo mundo, por meio de estradas, ferrovias e portos, em um movimento que começou bem antes da guerra comercial com os Estados Unidos.

O texto lembra que a China tem, há séculos, uma tradição de expansão econômica internacional, iniciada por Zhang Qian, explorador morto em 113 a.C., considerado o criador da Rota da Seda. Desde então, o país, que se tornou a segunda potência mundial, multiplica seus projetos, como o da Nova Rota de Pequim, programa formado por seis estradas e uma rede portuária que deve atingir 60% da população mundial e englobar um terço do comércio do planeta.

Mas Le Point se interessa principalmente pelos investimentos marítimos de Pequim. A revista conta como a empresa chinesa Cosco privatizou o porto de Pireus, na Grécia, em troca de € 600 milhões em investimentos na região portuária de Atenas, que deve se tornar esse ano a mais solicitada do Mar Mediterrâneo. Do porto grego, os produtos chineses podem ser transportados facilmente para a região dos Balcãs e toda a Europa Central, aponta o texto.

Ainda no velho continente, Pequim investiu em 15 portos diferentes, e se interessa particularmente nesse momento pelo de Trieste na Itália, que representaria uma ótima porta de entrada europeia pelo Mar Adriático. Le Point ressalta que além de ser um hub ferroviário, a profundidade das águas na costa da cidade italiana permitiria acolher os maiores navios de transporte de contêiner do mundo, o que justificaria os investimentos chineses na região.

Juros monstruosos em troca de infraestruturas medíocres

Mas Pequim também está de olho no continente africano, afirma a revista, como provam os € 60 bilhões de ajuda prometidos pelo presidente chinês Xi Jinping durante o Fórum de Cooperação sino-africano de 2018. Para mostrar esse interesse, Le Point traz uma reportagem especial sobre a presença chinesa em Djibuti, situado diante de um estreito que já representa a quarta rota marítima mundial.

A China investe € 1 bilhão por ano em Djibuti, o equivalente à metade do PIB do país africano. Esse dinheiro foi usado, entre outras coisas, para financiar a linha ferroviária que liga o território a Adis-Abeba, na Etiópia, além da inauguração, no ano passado, da maior zona franca da África.

No entanto, esses investimentos nunca são gratuitos e a dívida djibutiana dobrou em apenas três anos. “Em toda a África, a China propõe empréstimos com taxas de juros monstruosas em troca de infraestruturas medíocres”, avalia Le Point. “Incapazes de reembolsar, esses países se tornam vassalos de Pequim”, sentencia, lembrando o exemplo de Angola, que já deve € 25 bilhões aos chineses.


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