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Ebola avança na África: vírus chega a Uganda após deixar mais de mil mortos no Congo

Ebola avança na África: vírus chega a Uganda após deixar mais de mil mortos no Congo
 
Funcionário de saúde mede a temperatura de um homem no posto de Mpondwe, na fronteira de Uganda com a República Democrática do Congo 13/06/19. REUTERS/Newton Nabwaya

O vírus ebola avança na África. Depois de ter deixado mais de mil mortos na República Democrática do Congo desde o ano passado, o vírus chegou ao país vizinho Uganda. Em apenas uma semana, três pessoas já contraíram a doença e duas delas morreram.

Vinícius Assis, correspondente da RFI em Joanesburgo

Concentrações públicas estão proibidas na província de Kasese, em Uganda, depois da morte de uma segunda vítima do ebola, doença que desde agosto de 2018  aterroriza a República Democrática do Congo e que chegou ao país vizinho.

As duas pessoas que morreram eram da mesma família: avó e neto. O menino, que tinha cinco anos, foi a primeira vítima. Ele fazia parte do grupo de seis pessoas que foram ao Congo para o velório de um parente vítima da doença. Autoridades afirmam que o vírus cruzou a fronteira e entrou em Uganda quando essa família voltou para casa.

Irmão da primeira vítima, um menino de 3 anos está isolado depois que exames confirmaram que ele também contraiu a doença. Mais de 20 indivíduos que tiveram contato com as pessoas contaminadoas nos últimos dias estão sendo monitoradas pelas autoridades locais.

Medidas de prevenção

A ministra da Saúde, Jane Aceng, usou a internet para divulgar uma série de medidas preventivas para se evitar a propagação da doença entre a população, como lavar bem as mãos e evitar contatos físicos, além de ter informado quais os sintomas da doença.

Mais de 4 mil trabalhadores de saúde ugandenses foram vacinados e o monitoramento da doença foi intensificado. Autoridades estão em alerta e já esperam novos casos.

O ministério da Saúde de Uganda, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e ONGs parceiras já prepararam uma equipe de resposta rápida multisetorial no distrito de Kasese, que faz fronteira com o Congo. Cerca de 25 mil pessoas por dia cruzam esta fronteira, segundo o ministério da Saúde da República Democrática do Congo.

Este é o décimo surto de ebola no Congo. Desde o ano passado, exames comprovaram que 1.977 pessoas contraíram o vírus no país. Sendo que 1.032 morreram por conta da doença.

O ebola pode ainda ter matado outras 218 pessoas nas últimas semanas. São casos que ainda estão sendo analisados. Outros 94 pacientes podem estar com a doença e aguardam resultados de exames.

Doenças na África

Entre crises humanitárias e surtos de doenças na África, a OMS acompanha 72 situações no continente.

Uganda já vinha sendo motivo de preocupação por conta de surtos de sarampo (525 casos confirmados e seis mortes este ano). Em Angola, exames confirmaram que, das 2.670 pessoas que apresentaram sintomas de sarampo este ano, 79 realmente contraíram a doença, sendo que 64 morreram por conta da doença. No Camarões o sarampo também matou cinco pessoas este ano. Já foram notificados 1138 casos, sendo que 168 foram confirmados.

Outros países onde foram registrados surtos de sarampo nos últimos meses: República Centro Africana, Chade, Comores, República Democrática do Congo, Etiópia, Guiné, Quênia, Libéria, Madagascar, Mali, Ilhas Maurícios, Niger, Nigeria, Sudão do Sul.

Dois casos de febre amarela foram confirmados em Uganda desde o mês passado. Na Nigéria, dos 930 casos suspeitos de febre amarela registrados desde o início deste ano 12 foram confirmados.

Cólera e malária

O ministério da Saúde de Burundi decretou surto de cólera no último dia 5. Com isso, subiu para nove o número de países africanos onde esta doença vem preocupando autoridades de saúde nos últimos meses. Os outros oito são: Camarões, República Democrática do Congo, Etiópia, Moçambique, Quênia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue.

Moçambique é o segundo país africano com o maior número de brasileiros, pelas estimativas do Itamaraty e este ano foi atingido por dois ciclones em um intervalo de seis semanas, deixando áreas completamente alagadas. Com isso, foram registrados 7.041 casos de cólera nas províncias de Cabo Delgado (atingida pelo ciclone Keneth em abril) e Sofala (devastada pelo ciclone Idai em março).

A doença matou 8 pessoas no país. O governo anunciou esta semana a segunda fase de vacinação contra o cólera, prevendo imunização por até 5 anos.

Outra doença que castiga Moçambique é a malária. Já foram 3.818.391 casos registrados este ano. No ano passado foram 3.694.873 casos. Houve um aumento de 4% até agora, segundo o último boletim epidemiológico divulgado pelo ministério da Saúde de Moçambique. 

Burundi também entra nesta lista. Foram registrados 3.207.552 casos desde o início do ano, incluindo 1.273 mortes por conta da doença. Comparando com o mesmo período do ano passado, houve um aumento de 53% no número de casos ( 2.100.157) e 22% no total de mortes (1.046).

Viajando para a África

Este continente não é só sinônimo de doenças e conflitos. Mas se informar antes de planejar explorar a África é fundamental. 

Em muitos dos 54 países africanos não se pode entrar sem apresentar o Certificado Internacional de Vacinação, emitido no Brasil pela Anvisa. Companhias aéreas costumam pedir este certificado antes do embarque do passageiro em aeroportos africanos.


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