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África

Kenneth: Moçambique se prepara para chegada de novo ciclone

media Vista aérea do aeroporto da Beira, devastada pelo ciclone Idai. Cristiana Soares/RFI

Um mês após a passagem do ciclone Idai, que deixou mais de 600 mortos em Moçambique, os moradores se preparam para a chegada de Kenneth. As fortes chuvas provocadas pelo novo fenômeno podem causar inundações e deslizamentos de terra.

Espera-se que o ciclone, que atingiu na madrugada desta quinta-feira (25) o arquipélago de Comores, chegue rapidamente no norte de Moçambique, na fronteira com a Tanzânia. As autoridades do país anularam todos os voos para a cidade de Pemba. O governo também pediu o fechamento das escolas por medida de precaução.

De acordo com as autoridades locais, os ventos, que podem chegar a 305 km/h, devem provocar ondas de 5 metros de altura.

A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) disse estar "particularmente preocupada" com os danos que Kenneth poderia provocar em

Moçambique, principalmente após a devastação provocada pelo ciclone Idai.

"Outra tempestade seria mais um golpe contra o povo moçambicano, que tenta se recuperar" de Idai, estimou o Programa Alimentar Mundial (PAM).

Segundo o instituto moçambicano de gestão de situações de urgência (INGC), cerca de 700 mil pessoas são ameaçadas pelo Kenneth.

Sexo em troca de comida

Moçambique ainda não se recuperou da passagem do ciclone Idai. O PAM está ajudando um milhão de pessoas atingidas pela catástrofe.

A situação de penúria também tem provocado abusos, inclusive de parte das autoridades locais. Essa semana, a ONG Human Rights Watch (HRW) denunciou casos de mulheres que tiveram que se prostituir em troca de ajuda humanitária.

Responsáveis políticos locais, alguns deles ligados ao partido no poder, Frelimo, teriam exigido pagamento das vítimas para que seus nomes fossem incluídos na lista dos beneficiários. “Em alguns casos, as mulheres sem dinheiro foram obrigadas a manter relações sexuais com os responsáveis locais em troca de um saco de arroz”, alertou a ONG.

“A exploração sexual de mulheres que lutam para alimentar suas famílias após a passagem do ciclone Idai é revoltante e cruel e deve parar imediatamente”, declarou o diretor da HRW na região, Dewa Mavhinga.

Segundo o Banco Mundial, Idai causou cerca de mil mortes e danos de US$ 2 bilhões em Moçambique, Zimbábue e Malaui.

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