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África

Apesar da demissão de Bouteflika, população volta às ruas na Argélia

media Polícia tenta conter manifestantes em Argel na oitava sexta-feira consecutiva de protestos. REUTERS/Ramzi Boudina

Os argelinos foram às ruas nessa sexta-feira (12) para novas manifestações contra o governo. Apesar do anúncio da demissão do presidente Abdelaziz Bouteflika, a população continua protestando contra a permanência do clã do chefe de Estado no poder. Um forte dispositivo de segurança foi montado para evitar incidentes. Confrontos com a polícia foram registrados.

Abdelkader Bensalah, presidente do Conselho da Nação, a câmara alta do Parlamento, foi nomeado essa semana para o cargo de chefe de Estado interino, esperando a eleição presidencial marcada para 4 de julho, véspera do aniversário da independência do país, em 1962. Mas a nomeação do líder provisório não parece ter acalmado os ânimos e centenas de milhares de pessoas se reuniram nas ruas da capital Argel pela oitava sexta-feira consecutiva. A mobilização também foi registrada em outras cidades do país. 

Logo pela manhã, as ruas de Argel foram tomadas pela polícia, que tentou bloquear algumas vias. Algumas centenas de manifestantes enfrentaram as forças de ordem, que revidaram com bombas de gás lacrimogêneo provocando momentos de grande tensão. Mas finalmente o dispositivo de segurança teve que recuar diante do número de pessoas manifestando.

Os argelinos reivindicam reformas radicais e alegam que a nomeação de Bensalah é apenas uma fachada para perpetuar o regime em vigor. “Fora Bensalah”, gritavam os manifestantes no centro da capital, enquanto cartazes, escritos em árabe, francês ou inglês, diziam que “todos os dirigentes devem partir”, ou ainda “vamos julgá-los em praça pública”.

Manifestantes pedem que representantes do sistema deixem o poder REUTERS/Ramzi Boudina

“Não queremos mais esse sistema ou os restos desse sistema. Queremos um Estado de direito, um Estado democrático, um Estado livre. Queremos uma nova Argélia, uma nova república”, declarou um argelino à RFI. “Esperamos reconstruir o país com novas pessoas, em quem confiamos. Aqueles que estão no poder não querem sair, pois têm privilégios enormes e não querem perder isso”, disse outra moradora.

Abdelaziz Bouteflika, 82 anos, deixou oficialmente o cargo no dia 2 de abril. Ele estava no poder desde 1999.

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