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África

Até onde França foi conivente com genocídio de Ruanda?, questiona imprensa

media O jornal francês La Croix trata do aniversário de 25 anos do genocídio em Ruanda. Fotomontagem RFI

A dois dias do aniversário de 25 anos do genocídio de Ruanda, a imprensa francesa desta sexta-feira (5) se concentra no assunto. O massacre terminou com a morte de 800 mil pessoas, a maioria delas da etnia tutsi.

"Ruanda, a vida sem esquecimento" é a manchete de capa do jornal La Croix, que relata a reconstrução ainda em andamento do país após o genocídio. O enviado especial do diário a Kigali conta que o massacre é, 25 anos depois, o centro da vida do país.

"Todos estão envolvidos nesse trabalho de reconstrução, pais, filhos, famílias inteiras e ex-assassinos", escreve o repórter Pierre Cochez. Dois milhões de pessoas foram julgadas, milhares foram perdoadas, enquanto hoje toda a população se une em torno de um projeto de desenvolvimento que, pouco a pouco, mostra resultados, relata a reportagem.

La Croix resgata a história do massacre que começou em 6 de abril de 1994, quando o avião do presidente Juvenal Habyarimana, da etnia hutu, foi derrubado em Kigali. Um dia depois começou a matança de tutsis e hutus moderados, cometida pelos hutus do antigo regime.

Em 22 de junho, a ONU autoriza a França a realizar uma operação militar humanitária, mas os assassinatos continuaram até que a Frente Patriótica Ruandesa tome Kigali, colocando um fim ao massacre. A mesma Frente Patriótica Ruandesa acusa a França de tentar salvar o regime e os autores do genocídio.

Cegueira da França

O assunto também é abordado pelo jornal Libération que entrevistou Richard Mugenzi. Ele foi recrutado em 1990 pelo regime ruandês como agente secreto para espionar a Frente Patriótica Ruandesa. Mugenzi testemunhou, diante do Tribunal Penal Internacional, a cegueira da França diante das forças que exterminaram quase um milhão de tutsis, em cem dias.

"Até onde a França apoiou os militares que orquestraram o genocídio dos tutsis em 1994? Há 25 anos, essa é a pergunta que não quer calar", afirma Libération. O jornal ressalta que a poucos dias do trágico aniversário, o presidente francês, Emmanuel Macron, se prepara para anunciar a criação de uma comissão encarregada de abrir os arquivos do Estado sobre esse período.

Em entrevista ao Libé, Mugenzi não hesita em afirmar que a França "também entrou em guerra em Ruanda", apoiando, segundo ele, os militares que tomaram o poder. Para ele, é absurda a tese da guerra étnica entre tutsis e hutus para explicar o massacre. "O Estado se organizou para o genocício", diz o ex-agente.

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