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África

Ajuda humanitária é insuficiente em Moçambique, deplora Programa Alimentar Mundial

media Pessoas resgatadas em Buzi que busca refúgio na cidade de Beira, neste 24 de Março de 2019. António Silva/Lusa

Em Moçambique, o número de mortos provocados pelo devastador do ciclone Idai subiu neste domingo (24) para 446 vítimas. Pedro Matos, do Programa Alimentar Mundial (PAM), entrevistado pela enviada especial da RFI ao país africano, sublinha que "a ajuda humanitária é insuficiente" e que só quando as águas baixarem completamente é que se vai saber a verdadeira dimensão da tragédia.

Cristiana Soares, enviada especial da RFI a Moçambique

Além de Moçambique, o país mais atingido, a passagem do ciclone Idai fez 259 vítimas mortais no Zimbábue e no Maláui as autoridades falam em 56 mortos. Estes números são provisórios.

O número de pessoas afetadas em Moçambique pela tragédia subiu para 531.000, são pessoas que perderam casas ou estão em zonas isoladas e precisam de assistência. Os centros de acolhimento continuam a encher e já registam mais de cem mil entradas.

Pedro Matos, coordenador de emergência do Programa Alimentar Mundial, sublinha que "o governo de Moçambique não tem capacidade, nem nenhum governo teria capacidade para responder a um desastre desta dimensão. Só a área inundada é equivalente ao Luxemburgo. Era como se, de repente, a Europa tivesse perdido o Luxemburgo e todas as pessoas lá dentro."

Prioridade é cuidar dos vivos

O coordenador do PAM ressalta que “a prioridade atual é cuidar dos vivos e das pessoas que foram afetadas” para que, depois de terem sobrevivido à passagem do ciclone, “não morram de doenças e de fome”. Ele explica que muita gente se deslocou para fugir das águas e que agora precisa de assistência porque “não têm mais seus campos cultivados e a prioridade é chegar a essas pessoas”.

“Temos problemas logísticos para chegar a toda a gente. Mas também temos problemas por não termos as quantidades de bens alimentares, não alimentares, de abrigo e de saúde para conseguir atender todas as pessoas”, lamenta.

Beira, a segunda maior cidade de Moçambique, e várias regiões do país continuam isoladas. O acesso a muitas áreas inundadas só é possível com helicóptero. “Precisamos de mais ajuda”, pediu o coordenador de emergência do PAM.

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