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África

Mau tempo dificulta resgates em Moçambique

media Equipes da Cruz Vermelha recebem suprimentos para abrigos de emergência na Beira, Moçambique, e se preparam para distribuir ajuda aos sobreviventes do Ciclone Idai. 19 de março de 2019 Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho

As equipes de resgate estavam impressionadas nesta quarta-feira (20) com a magnitude da catástrofe causada pelo ciclone Idai no sudeste da África, que deixou pelo menos 300 mortos e milhares de pessoas isoladas em telhados ou árvores seis dias depois de sua passagem.

"É a pior crise humanitária na história recente de Moçambique", o país mais afetado, estimou a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV).

"Nem Moçambique nem nenhum país do mundo está preparado para responder a uma tragédia desta dimensão. Não há telecomunicações, não há energia. Muitas vezes temos tirar pessoas que têm água pelo pescoço para por em sítios onde as pessoas têm água só pelo tornozelo", disse à RFI Pedro Matos, coordenador humanitário do Programa Alimentar Mundial (PAM) em Moçambique.

O ciclone, que provocou deslizamentos e inundações, deixou pelo menos 202 mortos em Moçambique e 100 no Zimbábue. Mas o saldo pode ultrapassar as mil mortes em Moçambique, segundo o presidente Filipe Nyusi, que decretou três dias de luto nacional.

"Acredita-se que, com a descida das águas, que ainda estão a descer, poderão haver mais vítimas humanas, ainda não registradas", observou Paulo Tomas, porta-voz do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), em entrevista à RFI, em Maputo, capital de Moçambique.

O papa Francisco transmitiu sua "tristeza" pela catástrofe "que devastou várias regiões de Moçambique, Zimbábue e Malauí".

Mais chuva

A previsão do tempo que anuncia mais chuva para os próximos dias "piorará a situação", alertou o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

A prioridade nesta quarta-feira era ajudar os milhares de pessoas que encontraram refúgio nas árvores, telhados ou ilhotas. Em alguns lugares, o nível da água atingiu até seis metros.

Cerca de 350.000 pessoas estão bloqueadas em áreas inundadas de Moçambique, de acordo com Nyusi.

"Temos milhares de pessoas que, há mais de três dias, estão presas nos telhados e nas árvores à espera de socorro", disse nesta quarta-feira Caroline Haga, da FICV.

Os socorristas, vencidos pela magnitude da catástrofe, enfrentam um dilema. "Infelizmente, não podemos ajudar a todos, por isso a nossa prioridade são as mulheres, as crianças e os feridos", disse Haga, acrescentando que 167 pessoas foram resgatadas na terça-feira (19).

Algumas vítimas receberam ajuda aérea porque não puderam ser transferidas para um local seguro.

"Ninguém estava preparado para as inundações. As pessoas estavam preparadas para um ciclone, mas o ciclone causou no Zimbabué e Malauí chuvas torrenciais que chegaram até aqui", em Moçambique, acrescentou Haga para explicar a importância do desastre.

Porta-voz do INGC
Paulo Tomas - Porta-voz do INGC 20/03/2019 Ouvir
"Com a descida das águas, é possível que haja ainda mais vítimas humanas ainda não registradas"

Organizações humanitárias

As organizações humanitárias começaram a chegar em Beira (sul) nesta quarta-feira, mas não dispõem de equipamentos.

"Começamos com apenas um helicóptero", reconheceu Haga. "Agora temos cinco (para todas as operações de salvamento de Beira). Deveríamos, portanto, salvar mais gente, mas não temos pessoal", alertou.

As chuvas e os cortes de estradas e telecomunicações complicaram as tarefas de resgate.

Em Beira, os militares planejavam a distribuição de comida, mas o seu helicóptero não pôde decolar esta manhã devido ao mau tempo.

Pedro Matos - Coordenador humanitário do PAM em Moçambique 20/03/2019 Ouvir
"Ninguém estava à espera de uma tragédia com essa dimensão. Isso é uma coisa nunca vista."

Riscos para a saúde

As ONGs também alertaram sobre os riscos à saúde, principalmente malária e cólera.

"Temos de buscar e salvar milhares de pessoas, construir abrigos e centro de trânsito para as vítimas e permitir o acesso à água potável", explicou o UNICEF, resumindo a importância da tarefa.

No Zimbábue, os sobreviventes trabalhavam nesta quarta-feira, com picaretas e pás, para encontrar corpos na lama que arrastou uma centena de casas em Chimanimani (leste), onde oito pontes foram destruídas.

Para ajudar as vítimas na região, a ONU anunciou uma ajuda de 20 milhões de dólares

(Colaboração de Lígia Anjos e com informações da AFP)

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