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Moçambicanos aguardam em árvores e telhados resgate após ciclone

Moçambicanos aguardam em árvores e telhados resgate após ciclone
 
Imagens de helicóptero mostram inundações e danos após a passagem do ciclone Idai em Beira, cidade do centro de Moçambique. International Federation Of Red Cross And Red Crescent Societies

A passagem do ciclone Idai, que atingiu Moçambique nos últimos dias, deixou um rastro de destruição na região central do país. Sofala foi a província mais atingida. Apesar dos números oficiais apontarem, até o momento, para 84 mortos, o presidente Filipe Nyusi, que sobrevoou a área afetada pelos temporais, estima que o número de óbitos poderá chegar a 1.000 pessoas.

Orfeu Lisboa, correspondente da RFI em Maputo

Quatro dias após a passagem do ciclone Idai pelo centro de Moçambique, as chuvas torrenciais continuam a dificultar o trabalho de socorro e resgate às vítimas. Diversas cidades e vilas estão desprovidas de energia eléctrica, telefone e alimentos. A situação é calamitosa em Beira, cidade de 500 mil habitantes que teve 90% de suas casas e instalações destruídas pela tempestade, e permanece com sua principal estrada de acesso inundada. Mesmo as organizações que trabalham no terreno para fazer chegar bens de primeira necessidade aos desabrigados não conseguem prestar assistência à população.

Em um discurso à nação, o presidente moçambicano disse que 100 mil pessoas estão em situação de risco e clamam por todo tipo de ajuda. A situação poderá agravar-se diante das condições meteorológicas desfavoráveis. A estação de chuvas em Moçambique vai de outubro a março. Mas desta vez, a magnitude do ciclone superou todos os prognósticos. O fenômeno meteorológico é considerado o mais grave dos últimos dez anos.

O presidente Nyusi referiu-se a um "verdadeiro desastre humanitário de grandes proporções". Ele disse que muito ainda tem que ser feito para se levar comida, água e resgatar pessoas que se encontram há vários dias abrigadas no teto de suas habitações e árvores, onde buscaram refúgio para escapar da fúria das águas.

Escândalo esvaziou cofres públicos

O governo moçambicano apelou à ajuda interna e internacional. Dentro do país, os moçambicanos se uniram num movimento de solidariedade para ajudar os desabrigados e famílias atingidas pela catástrofe natural. O país está sem dinheiro, uma dificuldade que se prolonga desde o final de 2015, com a descoberta de dívidas de pouco mais de US$ 2 mil milhões contraídas pelo Estado sem o aval do Parlamento. Três empresas foram beneficiadas nesse escândalo: MAM, Proindicus e Ematum. O caso levou parceiros internacionais, incluindo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a suspender a contribuição financeira ao orçamento federal.

Além do dramático balanço humano, os danos materiais provocados pelo ciclone Idai ainda não foram avaliados. Mas certamente terão forte impacto na economia do país. O conselho de Ministros reúne-se hoje na cidade da Beira, para analisar a situação e avaliar as necessidades.


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