Ouvir Baixar Podcast
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 21/09 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 21/09 15h06 GMT
  • 15h00 - 15h06 GMT
    Jornal 21/09 15h00 GMT
  • 09h57 - 10h00 GMT
    Flash de notícias 21/09 09h57 GMT
  • 09h33 - 09h57 GMT
    Programa 21/09 09h33 GMT
  • 09h30 - 09h33 GMT
    Jornal 21/09 09h30 GMT
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 20/09 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 20/09 15h06 GMT
Para poder acessar todos os conteúdos multimídia, você deve instalar o plugin Flash no seu navegador. Para se conectar, você deve ativar os cookies nas configurações do navegador. O site da RFI é compatível com os seguintes navegadores: Internet Explorer 8 e +, Firefox 10 e +, Safari 3 e +, Chrome 17 e +.
África

Argélia: Redes sociais favorecem protestos inéditos contra 5° mandato de Buteflika

media Manifestantes protestam contra a candidatura de Abdelaziz Buteflika, que tenta um 5° mandato. REUTERS/Ramzi Boudina

Milhares de pessoas vem se manifestando nos últimos dias em várias cidades da Argélia. A população protesta contra a candidatura de Abdelaziz Buteflika que, aos 81 anos, tenta um 5° mandato como presidente. A mobilização, adubada pelas redes sociais, é inédita em um país onde as manifestações são proibidas desde 2001.

Buteflika foi vítima de um AVC em 2013 e, desde então, praticamente não é visto em público. Em suas raras aparições, o chefe de Estado tem dificuldade para falar. No entanto, isso não o impediu de anunciar, no dia 10 de fevereiro, que vai tentar se reeleger para um 5° mandato no dia 18 de abril.

Mas desta vez, ao contrário das eleições anteriores, o anúncio da candidatura provocou protestos, no início discretos, mas que vêm ganhando força. “Essa erupção, principalmente dos jovens argelinos, é uma situação inédita e espetacular, que ninguém podia imaginar. É uma grande surpresa”, comenta o historiador Benjamin Stora.

Se o especialista na história contemporânea da África do Norte se diz surpreso, é porque as manifestações são proibidas na Argélia há 18 anos. O país, que foi palco de uma guerra civil nos anos 1990, seguido de uma onda de atentados terroristas, vive desde a eleição de Buteflika em 1999 em um regime visto por parte da população como estável, mas considerado por muitos observadores ocidentais como repressor.

Abdelaziz Buteflika em 2016, em uma de suas raras aparições públicas AFP/Eric FEFERBERG

“Essa não é a primeira vez que o país registra protestos. A surpresa agora está ligada principalmente ao poder das redes sociais, pois a Argélia não é muito diferente do resto do mundo nesse aspecto”, explica Stora. “Os partidos políticos tradicionais hoje não são mais suficientes para mobilizar a sociedade e agora há outros métodos e outras ferramentas, entre elas as redes sociais”, analisa. Além disso, comenta, os mais jovens praticamente não conhecem o presidente, ainda mais ausente desde 2013. “A geração que tem entre 18 e 23 anos não conhece o personagem e não o ouviu há anos”.

Primavera Árabe atrasada?

E é justamente essa juventude que vem se mobilizando, mesmo se uma parte da elite também contesta a candidatura de Buteflika. Mas de acordo com o especialista, a maior parte dos manifestantes vem das classes mais modestas. “Eles estão presentes na saída das mesquitas, dos estádios. Aliás, nos estádios de futebol, durante os jogos do campeonato nacional, se ouve há semanas palavras de ordem hostis ao 5° mandato do presidente. Essa recusa de sua permanência no poder tem uma dimensão muito popular”.

Os protestos não são reivindicados por nenhum partido político e algumas manifestações são marcadas por violência. Como o caso de moradores que invadiram uma prefeitura e pisotearam um retrato de Buteflika, arrancado da parece. Há quem diga que a mobilização começa a ganhar ares de “Primavera Árabe”, um movimento que o país, ao contrário de seus vizinhos, não viveu e que estaria se produzindo com oito anos de atraso.

Imãs tentam convencer fiéis e internet é cortada

As autoridades locais tentam como podem conter o movimento. Nas mesquitas, alguns imãs pedem – sem muito sucesso – para que os fiéis apoiem o presidente. Já do lado do governo há quem defenda a teoria de um complô vindo de fora do país para desestabilizar o sistema argelino.

“As autoridades tentam fazer o que sempre fizeram, ou seja, fazer com que a informação não circule ou seja limitada”. Talvez por essa razão as conexões de internet no país registraram graves perturbações desde quinta-feira (21) e, em algumas cidades, se acessar às redes sociais se tornou quase impossível.

Sobre o mesmo assunto
 
O tempo de conexão expirou.