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África

Grandes potências disputam mercado de energia atômica no continente africano

media Central nuclear na África do Sul, único país do continente que produz eletricidade a partir da energia atômica. REUTERS/Mike Hutchings

Enquanto os europeus debatem a abolição da energia atômica, os países africanos estão cada vez mais interessados em desenvolver suas atividades nucleares. Pelo menos dez deles indicaram recentemente a intenção de construir centrais para responder à necessidade de eletricidade na região. Rússia, China e França estão dispostos a investir na atividade em um continente que conta com a vantagem de possuir importantes reservas de urânio.

Arnaud Jouve

Diante de uma população cada vez maior, os países africanos enfrentam uma demanda crescente de eletricidade, indispensável para o desenvolvimento econômico, mas também de infraestruturas necessárias tanto para a população quanto para atrair investidores. As autoridades da região avançam em busca de fontes de energia vindas de diferentes tecnologias, seja por meio de centrais térmicas, solares, eólicas ou hidrelétricas. No entanto, a opção atômica é cada vez mais cogitada no continente. Para os promotores da energia nuclear, essa tecnologia seria capaz de cobrir rapidamente as necessidades na região.

Apesar dos custos em investimentos, dos riscos ambientais e de segurança, vários países já demostraram interesse no átomo. Argélia, Marrocos, Tunísia, Egito, Gana, Quênia, Uganda, Zâmbia, Níger, Nigéria e Sudão afirmaram claramente a vontade de produzir energia nuclear, mesmo se alguns ainda engatinham em suas pesquisas e sofrem da falta de investimentos.

Mas para Mikhail Chudakov, diretor-geral-adjunto da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), “a África tem sede de energia e a energia nuclear poderia fazer parte da solução para muitos países”. Principalmente diante do crescimento da população, que deve passar dos 1,3 bilhões atuais para 2 bilhões em 2050.

Apenas a África do Sul produz energia nuclear no continente

A história da energia nuclear na África não é recente. A primeira central foi inaugurada no Congo, nos anos 1950. Mas o projeto, implementado pela Bélgica com objetivo científico, foi interrompido em 1970, substituído por outras tentativas que nunca conseguiram alcançar seus objetivos plenos.

Outros países, como Líbia, Argélia, Marrocos e Nigéria, também construíram reatores que serviam principalmente para a pesquisa médica. Alguns, como a Argélia, chegaram a exprimir uma ambição bélica, mas renunciaram rapidamente à ideia de fabricar bombas atômicas.

Atualmente, apenas a África do Sul dispõe de uma central nuclear em atividade plena no continente. Os sul-africanos começaram a atividade atônica por meio de um programa militar secreto que contou com a produção de seis bombas atômicas nos anos 1980. A atividade bélica só foi interrompida quando o país ratificou o tratado de não-proliferação nuclear, em 1991. Em seguida, a África do Sul se concentrou em uma atividade destinada a complementar a geração de eletricidade.

Mas numa tentativa de se liberar da dependência do carvão – responsável na época por 90% da produção de eletricidade na África do Sul – o então presidente Jacob Zuma lançou um ambicioso programa de desenvolvimento do parque nuclear, que acabou sendo deixado de lado em detrimento das energias renováveis. “Nós vamos lançar um estudo para determinar se precisaremos do nuclear após 2030. Mas, até lá, vamos manter nossa capacidade de produção de eletricidade nuclear”, declarou o ministro sul-africano da Energia, Jeff Radebe, no final de agosto.

França tenta se impor diante de China e Rússia

Para responder às ambições nucleares, as autoridades africanas se aproximam de países que possuem experiência na área e que desejam investir no continente. A França, bastante presente na África, tenta como pode ocupar o terreno, por meio de acordos de acesso às minas de urânio. Mas os franceses, que possuem um grande parque nuclear e conhecem o assunto, enfrentam a concorrência dos chineses e dos russos, que já disputam o setor.

Em 2015, o Egito anunciou oficialmente que a Rússia construiria uma primeira central nuclear em El-Dabaa, em pleno deserto. O projeto, estimado de US$ 4 bilhões, deve estar operacional em 2025, ao mesmo tempo que uma central instalada pela empresa russa Rosatom na Nigéria. Moscou prepara ainda mais um projeto no Sudão.

Já do lado chinês, Pequim anunciou este mês que a China General Nuclear Power Corporation iria começar a explorar uma mina de urânio na Namíbia. Os asiáticos também assinaram um acordo com Uganda para a construção de uma usina nuclear, além de confirmarem o lançamento da primeira central nuclear do Quênia.

Além do potencial que representa a África para os promotores do nuclear, o continente possui 20% das reservas mundiais de urânio, indispensável para a produção de energia atômica. Dos 54 países africanos, 34 possuem o elemento químico em seu subsolo. As principais minas estão na África do Sul, Malawi e Namíbia. O Níger, um dos países mais pobres do planeta e que possui um dos menores índices de residências equipadas com energia elétrica, concentra em seu território a 4ª maior reserva mundial de urânio.

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