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África

Boubacar Keïta é reeleito presidente do Mali, mas oposição contesta resultado

media Ibrahim Boubacar Keïta foi reeleito com 67,17% dos votos, mas apenas 37% dos eleitores participaram do pleito. Michele CATTANI / AFP

O presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keïta, foi reeleito para um novo mandato de cinco anos com 67,17% dos votos. O resultado do segundo turno, realizado no dia 12 de agosto, foi divulgado nesta quinta-feira (16). O chefe de Estado derrotou Soumaila Cissé, que recebeu 32,83% dos votos. Mas as equipes da oposição já contestaram a vitória.

Em 2013, os mesmos candidatos se enfrentaram no segundo turno e Keita foi eleito com 77,6% dos votos. Tiébilé Dramé, chefe de campanha do candidato de oposição, reagiu imediatamente ao anúncio da vitória de Boubacar Keïta. Segundo ele, a reeleição “não reflete a verdade das pesquisas e será contestada por todos os meios democráticos, inclusive no tribunal".

Dramé afirma que a oposição vai apelar para o tribunal constitucional para que os resultados “fraudulentos” sejam anulados em algumas zonas eleitorais. “Quando você abate uma galinha, ela luta antes de desistir. Nós não os culpamos por isso, é a democracia", ironizou Drissa Kanambaye, da equipe de campanha do candidato vencedor.

A União Europeia enviou observadores para acompanhar a votação em que mais de oito milhões de eleitores foram convocados para comparecer a um dos 23 mil colégios eleitorais. Os enviados da UE pediram às autoridades que não limitassem a liberdade de expressão e que dessem garantias ao acesso sem obstáculos à internet e às redes sociais. Curiosamente, poucas horas antes do anúncio dos resultados, não era possível acessar a internet nos telefones celulares das principais operadoras do país.

Keïta iniciará o novo mandato no dia 4 de setembro com um objetivo prioritário: aplicar o acordo de paz datado de 2015 com a antiga rebelião da maioria tuaregue, em um país que permanece sob a ameaça dos extremistas, apesar de cinco anos de intervenções militares internacionais.

O acordo, que ainda não entrou em vigor, foi firmado após a intervenção do Exército francês que, em 2013, retomou o controle do norte do país, onde os extremistas instauraram a sharia (lei islâmica) por um ano.

A votação, no entanto, não despertou muito interesse de um país cansado pela frequência dos ataques jihadistas, geralmente envolvendo violências intercomunitárias. Além disso, quase metade da população vive abaixo da linha da pobreza, embora o Mali seja o maior produtor africano de algodão e que sua economia registra um crescimento de 5% há vários anos. O índice de participação no segundo turno do pleito foi de 34,54%.

(Com informações da AFP)

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