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África

Corpos de jornalistas russos mortos na África retornam a Moscou

media Fotos dos jornalistas russos mortos são expostas em homenagem em Moscou. Vasily MAXIMOV / AFP

Os corpos dos três jornalistas russos, assassinados na República Centro-Africana quando investigavam as atividades de um grupo paramilitar, foram repatriados neste domingo (5). Eles chegaram ao aeroporto de Moscou em um voo da Air France e passarão por exames para determinar as causas das mortes.

"O trabalho continua para esclarecer as circunstâncias do crime. Atualmente estamos ouvindo as pessoas que poderiam ter informações a respeito da investigação", anunciou o Ministério Público da Rússia.

O correspondente de guerra Orkhán Dzhemal, o cinegrafista Kirill Rádchenko e o documentarista Alexander Rastorgúeyv foram mortos na segunda-feira (30). Eles produziam uma reportagem sobre o chamado grupo Wagner, empresa que envia mercenários russos para pontos críticos, como a Síria e a Ucrânia, e foi descrita como "o exército das sombras" de Moscou.

Na sexta-feira, o Ministério das relações Exteriores da Rússia disse que os jornalistas foram atacados ao resistirem a um assalto. O porta-voz do governo centro-africano, Ange Maxime Kazagui, declarou à AFP que um dos jornalistas se opôs com violência a homens armados que queriam roubar os equipamentos do grupo. Um deles teria morrido na hora e os outros dois não resistiram aos ferimentos.

Os detalhes da ação foram revelados pelo motorista do veículo, que ficou ferido, também de acordo com o porta-voz. Segundo Moscou, nenhum sinal de tortura foi encontrado nos corpos.

Autoridades federais russas, a justiça centro-africana e uma missão da ONU no país iniciaram uma investigação sobre as circunstâncias das mortes dos correspondentes.

Os três jornalistas eram colaboradores do Centro de Gestão de Investigações, um projeto criado pelo magnata e opositor russo no exílio Mikhail Khodorkovski.

O grupo Wagner foi criado por um ex-oficial do GRU (serviço de inteligência militar russo), Dmitri Utkin. As empresas militares privadas são proibidas na Rússia. De acordo com a imprensa e o serviço de inteligência ucraniano, o grupo Wagner está envolvido, desde junho de 2014, nos combates do leste da Ucrânia com os separatistas pró-Moscou.

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