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África

Milhares vão às ruas no Senegal após morte de estudante abatido pela polícia

media Estudantes saíram às ruas no Senegal em protesto contra a violência da polícia. RFI/Guillaume Thibault

Milhares de jovens foram às ruas nesta quinta-feira (24) em várias cidades do Senegal manifestar após a morte de um estudante há dez dias na cidade Saint-Louis, no norte do país. O aluno da universidade local morreu vítima da violência da polícia durante um protesto contra o atraso no pagamento de bolsas de estudos.

Cerca de 3 mil pessoas manifestaram na capital Dacar. Protestos também foram registrados em Ziguinchor (sul), Thiès (oeste), Bambey (centro), e em Saint-Louis. “Desde 1968 estudantes morrem durante confrontos com a polícia”, declarou à RFI Mamadou Diallo, que participava do ato nesta quinta-feira. “Em 2001 nós assistimos a morte de Balla Gaye, em 2014 de Bassirou Faye e agora foi a vez de Fallou Sène. São os mesmos casos que se repetem”, explicou o manifestante.

Sène, 25 anos, era aluno na universidade Gaston Berger e participava no dia 15 de maio de uma manifestação contra o atraso no pagamento das bolsas de estudos. Ao tentarem entrar no restaurante universitário para protestar os alunos foram impedidos pelas forças de ordem, enviadas pelo reitorado. Segundo as primeiras investigações, o estudante morreu vítima de um tiro disparado pela polícia.

Bolsa de € 27 por mês e anfiteatros superlotados

O reitor e um dos diretores da universidade foi tirado do cargo, mas os alunos pedem que alguns ministros, como os responsáveis pelas pastas do Ensino Superior, do Interior e das Finanças, sejam demitidos. Durante um conselho ministerial na quarta-feira (25), o presidente senegalês Macky Sall prometeu, em um encontro informal com representantes estudantis, “melhorar as condições pedagógicas e sociais”. Porém, nenhuma medida concreta foi anunciada.

No Senegal, os universitários recebem bolsas de estudos entre € 27 e € 55 por mês, valor considerado insuficiente e frequentemente pago com atraso. Além disso, os estudantes reclamam da superlotação nas faculdades, onde 1500 alunos se espremem em anfiteatros concebidos para receber 400 pessoas.

Paralelamente aos protestos, os estudantes convocaram uma greve com duração ilimitada, que está paralisando as faculdades do país.

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