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África

Apesar do ultimato, Mugabe diz que continua na presidência do Zimbábue

media Robert Mugabe está no poder há 37 anos e não pretende deixar o cargo. REUTERS

Após a intervenção dos militares, que tomaram o controle do país, o presidente do Zimbábue fez um esperado discurso na noite deste domingo (19). Apesar da expectativa de uma possível demissão, Robert Mugabe informou que pretende continuar no cargo. Aos 93 anos de idade e 37 no poder, ele é o chefe de Estado mais idoso em exercício no mundo.

Durante um discurso de cerca de 20 minutos, ao lado de membros do governo e militares, Mugabe disse que é consciente da crise que atravessa seu país. Porém, mesmo se fontes próximas do presidente informaram poucas horas antes que o líder iria renunciar, o chefe de Estado não parece disposto a deixar o cargo.

Ao fazer seu anúncio à nação em rede nacional de televisão, Mugabe chegou a se enganar durante a leitura do discurso e pediu para retomar um parágrafo. “Nossa nação conheceu períodos de dificuldade e essa luta passada deve nos guiar hoje e determinar nosso futuro. Temos uma herança comum de resistência”, disse o presidente.

Durante seu discurso, Mugabe afirmou que a intervenção militar que o colocou em prisão domiciliar durante a semana não coloca em questão sua autoridade como chefe de Estado e comandante das Forças Armadas. Prova disso, o líder mais longevo do mundo em exercício disse que vai presidir o congresso de seu partido previsto para dezembro.

A declaração surpreendeu, já que durante o dia Mugabe foi oficialmente destituído do cargo de presidente do Zanu-PF, o partido do poder. Ele foi substituído pelo ex-vice-presidente Emmerson Manangagwa. Além disso, a legenda havia lançado um ultimato, avisando que se  Mugabe não renunciasse até o meio-dia desta segunda-feira (20), seria destituído.

Discurso desconectado da realidade

Logo após o pronunciamento, os ex-combatentes da guerra da independência convocaram novas manifestações na próxima quarta-feira (22). “Esse discurso é totalmente desconectado da realidade”, declarou Chris Mutsvangwa, chefe da influente associação dos veteranos. “Nós apoiamos qualquer processo de destituição e pedimos que todos manifestem.”

A intervenção do exército esta semana representa uma guinada no longo reinado de Mugabe, marcado pela repressão de qualquer oposição e uma grave crise econômica.

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