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África

Confrontos deixam mortos e adiam eleições no Quênia

media Violência tomou conta das ruas em várias cidades do Quênia REUTERS/Baz Ratner

As eleições presidenciais no Quênia, previstas para esta quinta-feira (26), foram adiadas após confrontos que resultaram na morte de três pessoas e vários feridos. Convocada após dois meses de uma crise que dividiu a nação, a nova eleição foi marcada pela violência nos redutos da oposição entre alguns de seus apoiantes, que tentaram bloquear o acesso às seções eleitorais e a polícia. A situação levou a Comissão Eleitoral a adiar a decisão para sábado (28), em quatro dos 47 municípios quenianos.

Em Kibera, nos arredores da capital Nairóbi, a polícia lançou gás lacrimogêneo e disparou para o ar com o objetivo de dispersar os manifestantes. O mesmo aconteceu em Kisumu, Migori (oeste) e no subúrbio de Mathare, em Nairóbi, redutos do líder opositor Raila Odinga. Na mesma região, a maioria das seções eleitorais permaneceu fechada, as autoridades eleitorais temiam por sua segurança.

Quase 19,6 milhões de eleitores estavam registrados para votar nesta quinta-feira, depois que o Supremo Tribunal invalidou os resultados da votação de 8 de agosto por irregularidades. Após denúncias de fraudes, a Comissão Eleitoral realizou algumas reformas, mas a oposição considera que a instância continua parcial e atuando a mando do partido no poder.

Odinga, de 72 anos, convocou seus partidários a boicotar o pleito, considerando não haver condições para uma eleição transparente e justa. Em algumas localidades os colégios eleitorais não abriram.

Ao menos 40 pessoas morreram desde a eleição, no início de agosto, em sua maioria devido à repressão da polícia, segundo organizações humanitárias. Desde então, o clima político é de grande tensão.

Eleições anuladas

Em 8 de agosto, Kenyatta venceu com 54,27% dos votos, contra 44,74% para Odinga. Mas a votação foi invalidada após as denúncias de fraudes, e a Constituição prevê a realização de uma nova consulta, algo inédito no continente africano.

O Supremo Tribunal justificou sua decisão pelas irregularidades na transmissão dos resultados, sem culpar nenhuma parte, responsabilizando a Comissão Eleitoral.

Odinga, que foi candidato à Presidência em 1997, 2007 e 2013, pressionou a Comissão para que realizasse reformas, e, por fim, considerou as medidas adotadas como insuficientes.

O presidente da Comissão Eleitoral, Wafula Chebukati, admitiu recentemente que a instância não era capaz de garantir eleições justas. Odinga utilizou esse pretexto para anunciar em 10 de outubro que se retirava da eleição, um passo que não foi formalizado. Seu nome segue nas cédulas de voto, junto com o de Kenyatta e de seis outros candidatos.

Governo ditador

O principal rival de Kenyatta denunciou na quarta-feira uma "ditadura" e cobrou a criação de um "movimento nacional de resistência contra a autoridade ilegítima do governo".

No Quênia, o voto é exercido mais em função do pertencimento étnico e geográfico do que em relação a programas de governo. Essa crise política expõe novamente as profundas divisões sociais, geográficas e étnicas que atravessam o país e seus 48 milhões de habitantes.

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