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África

Mais de 300 migrantes são jogados no mar em 24 horas na costa do Iêmen

media Imigrantes clandestinos na cidade portuário de Aden, no Iêmen, esperam para serem extraditados para a Somália. SALEH AL-OBEIDI / AFP

Dezenas de migrantes africanos morreram, e outras dezenas estão desaparecidos, após terem sido jogados ao mar nesta quinta-feira (10) por traficantes de seres humanos perto da costa do Iêmen. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), nas últimas 24 horas mais de 300 pessoas foram obrigadas a saltar no oceano quando tentavam a travessia do golfo de Áden.

De acordo com a OIM, pelo menos cinco migrantes africanos morreram nesta quinta-feira (10), e outros 50 estão desaparecidos. Eles faziam parte de um grupo de 180 pessoas, vindas da Somália e da Etiópia, que navegavam clandestinamente.

Na véspera, outros 120 migrantes também foram obrigados a se lançar no mar dessa região perto do litoral da província de Chabua, no sul do Iêmen. De acordo com a OIM, cerca de 50 pessoas morreram, mas apenas 29 corpos foram resgatados.

Segundo testemunhas, os traficantes obrigaram os migrantes a se jogar no mar pois teriam entrado em pânico com a aproximação de barcos que poderiam ser das autoridades marítimas. Mas a porta-voz da OIM, Olivia Headon, afirma que episódios do gênero vêm se repetindo e que essa poderia ser uma nova técnica dos “coiotes” para se livrar dos migrantes antes de chegar no litoral.

O Iêmen é um país pobre, palco de uma guerra há mais de dois anos. Mesmo assim, ele é visto por muitos como uma possível porta de entrada para as nações vizinhas do golfo. A travessia é facilitada pela proximidade, já que menos de 30km de travessia pelo golfo de Áden separam a região conhecida como Chifre da África (Somália, Djibuti, Etiópia e Eritréia) e o Iêmen.

A curta distância tem motivado cada vez mais pessoas a tentar fazer a travessia clandestinamente, quase sempre por meio de traficantes de seres humanos. Segundo a OIM, mais de 50 mil migrantes, um terço delas mulheres, desembarcaram no território iemenita desde o início deste ano.

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