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Dupla sul-africana atravessará o oceano Atlântico a remo

Dupla sul-africana atravessará o oceano Atlântico a remo
 
Uma dupla sul-africana decidiu inovar a regata Cape to Rio, sai da Cidade do Cabo, na África do Sul, para o Rio de Janeiro: Braam Malherbe(foto) e Peter Van Kets farão todo o percurso remando. A. Lourenço

A cada 3 anos, velejadores do mundo todo atravessam o oceano Atlântico na regata Cape to Rio, que, como o nome já diz, sai da Cidade do Cabo, na África do Sul, para o Rio de Janeiro. Mas, na próxima edição, que acontece no dia 1° de janeiro, uma dupla sul-africana decidiu inovar: Braam Malherbe e Peter Van Kets farão todo o percurso remando.

Malherbe explica o projeto: "Essa é a primeira vez que alguém rema da Cidade do Cabo até o Rio. Estamos fazendo junto com a regata e temos o total apoio dos organizadores, o que é ótimo. Eles vão nos deixar começar meia hora antes. É claro que não estamos competindo, é bom esclarecer".

São cerca de 6.700 km de percurso. "Vvamos seguir praticamente a mesma rota dos outros barcos. Mas, para mim, o mais importante não é o fato de que seja a primeira vez: o mais importante é o propósito por trás", diz.

O objetivo é chamar atenção para a proteção do meio ambiente, incluindo os oceanos, mas não apenas eles. Malherbe e Van Kets são ativistas ambientais que militam pela conservação do planeta e juntos estão divulgando um aplicativo gratuito que convida todo mundo a fazer sua parte.

São diversas dicas divididas em quatro categorias: lixo, água, energia e conservação. O aplicativo DOT (do inglês "Do One Thing") estará disponível até o final do mês.

"A Terra não é infinita"

"Nossa civilização precisa se distanciar da ideia de que a Terra é infinita e que pode continuar nos dando tudo
que precisamos. Já passamos desse ponto. E o DOT é um aplicativo gratuito para qualquer pessoa do mundo, que será lançado no fim de novembro e nos ajudará a ver isso", afirma Malherbe.

Para ele, as pessoas não precisam mudar radicalmente seu estilo de vida, mas apenas pequenas coisas. "Por exemplo, tomar banho de chuveiro, e não de banheira; colocar um tijolo na descarga e economizar um litro de água; colocar um balde debaixo do chuveiro e reutilizar a água; não dar descarga cada vez que fizer xixi."

A causa pode ser nobre, mas o perigo é real. Apesar de toda a tecnologia disponível, a ajuda demoraria muito para chegar em caso de emergência. Até hoje, apenas o brasileiro Amyr Klink atravessou o Atlântico a remo, em uma rota um pouco mais ao norte. O dia-a-dia da dupla também será difícil. A alimentação vai ser praticamente apenas comida desidratada e peixes e cada um dormirá apenas duas horas seguidas.

Navios e baleias

Mas as maiores preocupações dos aventureiros são outras. "Os maiores perigos serão navios e baleias. À noite, as baleias dormem na superfície. Tempestades também são perigosas, é claro. Os navios têm uma destinação e simplesmente seguem uma linha reta, então precisamos ter navegação por satélite e um sistema completo de GPS. Todas as precauções estão sendo tomadas, mas ainda assim algo pode dar errado", conta o navegador.

Além dos perigos externos, lidar com a solidão é um dos maiores desafios. "Uma das coisas mais importantes é companhia. Em toda expedição minha e do Peter, nós mantemos o bom humor e fazemos piadas. Diante de tanto estresse físico e mental, precisamos apoiar um ao outro", esclarece Malherbe.

A previsão é completarem o percurso entre dois e três meses. Uma das motivações da dupla é chegar a tempo para o Carnaval no Rio de Janeiro, em março.
 


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