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África

Divulgado relatório que pode comprometer presidente sul-africano Zuma

media Manifestação em Pretória pede saída do presidente Jacob Zuma. REUTERS/Mike Hutchings

Um relatório oficial publicado nesta quarta-feira (2) na África do Sul, a pedido da justiça, pede que o Ministério Público e a polícia investiguem supostos crimes de corrupção na cúpula do Estado. O presidente Jacob Zuma tentou de várias formas impedir a divulgação do documento.

No texto de 355 páginas intitulado "A tomada de controle do Estado", a provedora da República, responsável por fiscalizar a utilização correta dos fundos públicos, chama a atenção "para os problemas identificados no relatório que aponta para evidências de que crimes foram cometidos".

A justiça sul-africana ordenou nesta quarta-feira a publicação imediata do relatório potencialmente explosivo para o presidente Jacob Zuma, uma decisão que encorajou milhares de manifestantes exigindo sua renúncia a marchar até o palácio presidencial onde ocorreram breves confrontos com a polícia.

Oposição aplaude divulgação e pede renúncia de Zuma

O gabinete da provedora da República, autora do relatório, "recebeu a ordem de publicar" o documento "até às 17h (13h de Brasília) do dia 2 de novembro, inclusive tornando-o disponível" em seu site, declarou o juiz Dunstan Mlambo, do Supremo Tribunal de Pretória. Uma decisão comemorada com aplausos na sala do tribunal da capital sul-africana, e imediatamente saudada pela oposição, em meio aos pedidos de renúncia do presidente Zuma.

Milhares de partidários da oposição, que protestavam perto do tribunal, dirigiram-se ao palácio presidencial, onde a polícia disparou balas de borracha e usou canhões de água na tentativa de dispersar a multidão.
Após o incidente, os manifestantes da oposição - principalmente do partido de esquerda Combatentes pela Liberdade Econômica (FEP) - continuavam em frente aos portões da residência do presidente, enquanto a polícia recebeu reforços.

Horas antes, o presidente Zuma, que havia movido uma ação no tribunal para tentar bloquear a publicação do relatório sobre a corrupção em seu governo, retirou o recurso. Na sequência, a oposição pediu ao tribunal para ordenar a divulgação "imediata" do relatório. O tribunal decidiu em seu favor.

"Este é um dia histórico (...), um momento-chave para a África do Sul, Jacob Zuma vai prestar contas", reagiu o líder da Aliança Democrática (DA), Mmusi Maimane. "Esta é uma vitória para a democracia, para o Estado de direito, para a justiça", acrescentou Eric Mabuza, advogado dos FEP.

Relatório mostra influência de poderosa família de empresários

O documento, que deveria ter sido publicado em 14 de outubro, concentra-se nas suspeitas de influência da família de empresários Gupta sobre o presidente Zuma, ao ponto de impor-lhe a nomeação de alguns ministros para promover os seus interesses. Embora reconheça ser próximo desta família, o chefe de Estado sempre negou qualquer influência do Gupta em suas decisões políticas.

O relatório foi redigido pela provedora Thuli Madonsela, pouco antes de ela deixar o cargo em meados de outubro. Durante seus sete anos no cargo, Thuli ficou conhecida por sua determinação em lutar contra a corrupção no topo do Estado e tornou-se a pedra no sapato do presidente Zuma.

O caso também tem nutrido uma guerra política dentro do partido no poder na África do Sul, o Congresso Nacional Africano (ANC), entre o campo do presidente Zuma e os fundadores do partido, liderados pelo ministro das Finanças, Pravin Gordhan. Na terça-feira, em um caso sem precedentes contra Zuma, a respeitada Fundação Nelson Mandela pediu, em termos velados, a renúncia do chefe de Estado.

(Com informações da AFP)

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