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África

Em favela queniana, Papa Francisco denuncia desigualdade social

media Multidão de fiéis recebe o papa Francisco na favela de Kangemi, no Quênia REUTERS/Stefano Rellandini

Em seu último dia de visita ao Quênia, o papa Francisco visitou nesta sexta-feira (27) uma favela de Nairóbi e condenou as condições precárias em que vivem milhões de pessoas, abandonadas e marginalizadas nas periferias das grandes cidades. Francisco disse que é de "uma injustiça atroz" que tanta gente viva na pobreza enquanto uma minoria concentra o poder e a riqueza. O pontífice discursou na igreja de São José Operário, administrada por jesuítas, no bairro de Kangemi, onde vivem mais de 100.000 pessoas.

"Como não denunciar as injustiças que sofrem? A atroz injustiça da marginalização urbana. São as feridas provocadas por minorias que concentram o poder, a riqueza e esbanjam com egoísmo, enquanto crescentes maiorias devem refugiar-se em periferias abandonadas, contaminadas, descartadas", disse Francisco. Diante dos fiéis de Kangemi, que o receberam emocionados, o pontífice denunciou "novas formas de colonialismo" que relegam os países africanos a ser "peças de um mecanismo e de uma engrenagem gigantesca", que os submetem a pressões "para que adotem políticas de descarte, como a da redução da natalidade".

Francisco ainda criticou "a falta de acesso às infraestruturas e serviços básicos, a injusta distribuição do solo (...) que leva, em muitos casos, famílias inteiras a pagar aluguéis abusivos por residências em condições nada adequadas", além do "monopólio de terras por parte de 'promotores privados' sem rosto, que até pretendem apropriar-se do pátio das escolas de seus filhos". De acordo com ele, "a hostilidade que sofrem os bairros populares se agrava quando a violência se generaliza e as organizações criminosas, a serviço de interesses econômicos ou políticos, utilizam crianças e jovens para seus negócios violentos", prosseguiu.

Recordando o "direito sagrado aos 'três T', terra, teto e trabalho", o papa defendeu uma "integração urbana respeitosa". Depois que uma religiosa do bairro criticou o fato de apenas 4% do clero de Nairóbi trabalhar nos subúrbios pobres, que concentram metade da população da capital queniana, Francisco fez um apelo a favor do envolvimento de todos os cristãos. Logo no início do discurso, o papa disse que se sentia "em casa" na favela.

Durante todo o pronunciamento, os fiéis permaneceram em um silêncio respeitoso. Os aplausos só tomaram a igreja quando o pontífice se despediu em suahili: "Mungu awabariki" (Que Deus os abençoe). "A visita a Kangemi foi para o papa uma forma de ilustrar, de forma concreta, os males da megalópole africana, que já abordou ante as instituições da ONU na quinta-feira em um discurso sobre o meio ambiente", disse o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano.

Uganda, próxima etapa

Com um voo curto, o pontífice viajará nesta sexta-feira a Uganda, segunda etapa da viagem ao continente africano. Francisco se reunirá com o presidente Yoweri Museveni, representantes políticos e diplomáticos, antes do primeiro discurso da visita de um dia e meio ao país, marcado por guerras e ditaduras, e com uma taxa particularmente alta de incidência do vírus HIV. Como o país vive sob constante ameaça de jihadistas somális, as forças de segurança ugandesas serão mobilizadas em grande número ao longo do itinerário do papa.

Assim como o Quênia, Uganda contribui com um contingente militar à força da União Africana na Somália (AMISOM), o que faz do país um alvo potencial de ataques terroristas. Quase 47% dos ugandeses, o que representa mais de 17 milhões de pessoas, são católicos. O país é um dos Estados africanos onde as instituições sociais da Igreja católica são mais ativas.

No domingo, o papa cumprirá a etapa mais perigosa da turnê africana: Bangui, capital da República Centro-Africana, devastada desde 2013 por uma guerra civil de contornos sectários.

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